Yoav Lemmer/France PresseEm nome da PalestinaPoliciais recolhem o corpo do terrorista, entre os escombros do Café Apropos: aumenta tensão entre israelenses e palestinos Um muçulmano palestino executou ontem um atentado suicida à bomba num lotado café de Tel-Aviv, em que morreram quatro pessoas - três israelenses na hora, incluindo o terrorista, e outra mais tarde, no hospital - e 48 ficaram feridas. O ato deu um fortíssimo golpe no já cambaleante processo de paz no Oriente Médio. A explosão devastou o terraço ao ar livre do café onde famílias relaxavam na hora do almoço antes do feriado judeu do Sabá. Refeições não terminadas ficaram abandonadas nas poucas mesas de madeira que escaparam da força da explosão no Café Apropos, na Rua Ben Gurion, no centro de Tel-Aviv.
O ataque aconteceu em meio ao aumento da tensão entre israelenses e palestinos provocada pelo início da construção na terça-feira de um novo assentamento judeu na árabe Jerusalém Oriental. Num telefonema anônimo, um homem afirmou à polícia que o atentado havia sido praticado pelo grupo fundamentalista islâmico Hamas. A Rádio do Exército de Israel divulgou que o terrorista era um palestino de 28 anos, natural da vila de Sourif, na Cisjordânia, que é controlada pelos israelenses.
O Exército israelense impôs um toque de recolher em Sourif e palestinos afirmaram que houve prisões. Um líder do Hamas libertado pela Autoridade Palestina na semana passada em Gaza afirmou depois do atentado que apenas bombas poderiam parar a construção do assentamento.
No café, uma policial palestina carregava uma pequena menina em seus braços em busca dos pais dela. A criança vestia uma esfarrapada fantasia de palhaço para a festa judaica de Purim. ‘‘Eu vi a mãe dela’’, afirmou o médico Pinni Melech à Rádio de Israel. ‘‘Toda a face dela estava queimada, sem uma orelha. Um horror’’. Tanto a mãe quanto a criança foram levadas às pressas para o hospital de Ichilov, de Tel-Aviv - sendo que a criança foi internada no centro de tratamento intensivo.
A cena fazia lembrar uma semelhante na mesma Tel-Aviv no ano passado no Purim, depois que um homem-bomba do Hamas matou 13 pessoas num shopping. A explosão também aconteceu pouco mais de uma semana depois que sete estudantes israelenses foram mortas a tiros nas margens do Rio Jordão por um soldado jordaniano.
AcusaçõesO presidente palestino Yasser Arafat condenou o ataque, classificando-o de um ‘‘incidente terrorista’’. Mas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou a Autoridade Palestina de Arafat de indiretamente ter dado autorização aos atacantes. ‘‘Eu disse que essas organizações entenderam das coisas que foram ditas a elas que tinham a aprovação da Autoridade Palestina... Não há dúvida que eles agiram com base neste entendimento’’, afirmou Netanyahu a repórteres enquanto visitava feridos no hospital.
Mas Netanyahu e Yasser Arafat mantiveram ontem à noite uma conversação depois do atentado. Arafat, que telefonou ao premier, disse que ‘‘lamentava’’ o atentado, e Netanyahu lhe respondeu que ‘‘é necessário agir vigorosamente contra os terroristas e as infra-estruturas que utilizam’’, acrescentou uma fonte.
Os chefes dos serviços de segurança israelenses e palestinos se reuniram imediatamente em Tel Aviv. A iniciativa foi tomada por Netanyahu, que deseja restabelecer os contatos e a cooperação entre os serviços de segurança.

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