Atentado ilustra o caos da ocupação
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sábado, 23 de agosto de 2003
Beatriz Lecumberri<br>France Presse 
Paris- Ao atacar o prédio da ONU os terroristas investiram com uma força até então desconhecida contra a comunidade internacional, representada pelo órgão, e deixaram claro que os Estados Unidos não têm como impedir o caos no Iraque. Além de atingir o único órgão que trabalhava pela paz no Iraque, o atentado mostrou que os Estados Unidos são incapazes de cumprir a principal obrigação de uma potência de ocupação: garantir a segurança.
''Mas por que a ONU?'', pergunta-se o mundo diplomático, de luto após a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello e colegas. Talvez devido às sanções que impôs ao Iraque durante 13 anos. Ou por não ter impedido a guerra. Ou ainda por ser um alvo mais fácil do que as autoridades da coalizão anglo-americana.
O ataque contra a ONU ocorreu num contexto de atentados praticamente diários contra soldados americanos e a infra-estrutura iraquiana: oleodutos, tubulações de água, cabos de eletricidade, entre outros alvos. Desde que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, proclamou o fim da guerra no Iraque, em 1º de maio, 65 militares americanos morreram em circunstâncias violentas no país.
A guerra no Iraque está longe de ter acabado. Bastaram três semanas para derrubar o regime ditatorial com uma guerra bem-planejada, mas para os Estados Unidos ficou faltando preparar a paz, a reconstrução, e os meios para lidar com o caos que previsivelmente se seguiria. Aos olhos de especialistas, os americanos estão perdendo esta paz e a oportunidade de mudar a vida de 24 milhões de iraquianos, exaustos após uma ditadura de 35 anos.
Desde abril, Washington põe em prática sua versão da 'libertação' iraquiana, com centenas de jovens soldados aterrorizados e sem experiência em países árabes operando com uma brutalidade que alimenta a hostilidade e incompreensão dos habitantes, afirmam os jornalistas no Iraque. Além disso, o orçamento para trabalhar na longa e custosa reconstrução do país poderia ser vetado pelo governo americano, e se retirar agora do Iraque significaria abandonar o país a uma guerra civil e o transformar num Estado à deriva, como o Afeganistão.
Por tudo isso, o atentado contra a ONU obriga a uma mudança de planos no Iraque. A esperança agora é de que Bush reconheça que errou, e que a ONU não volte atrás em sua missão. Construir no Iraque uma paz comandada pela bandeira das Nações Unidas era o sonho do brasileiro Sérgio Vieira de Mello.


