O governo britânico suspendeu ontem qualquer contato com o Sinn Fein, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), depois do assassinato pelo grupo de dois policiais na Irlanda do Norte. Os policiais receberam tiros à queima-roupa, na cabeça, quando estavam a poucos metros da delegacia em Lurgan.
Estes assassinatos podem avivar o clima de tensão na província britânica num momento em que está a ponto de ser iniciada a denominada ‘‘estação das manifestações’’, fonte de fricções que desembocam em violentos confrontos entre protestantes e católicos. O primeiro-ministro Tony Blair, que está em Amsterdã participando da reunião de cúpula comunitária, declarou-se ‘‘consternado por este perverso e diabólico ato’’. E acusou o IRA de bloquear deliberadamente o caminho da paz.
O premier irlandês John Bruton definiu o atentado de ‘‘ataque covarde’’, enquanto Bertie Ahern, que espera sucedê-lo, na reunião do novo Parlamento prevista para 26 de julho, qualificou o ato de ‘‘ação diabólica, irresponsável e provocadora’’.
Os policiais foram os primeiros membros das forças de segurança mortos pelo IRA desde que o Partido Trabalhista ganhou as eleições de 1º de maio e declarou que uma de suas prioridades era pôr ponto final no conflito que atinge a província. O governo havia retomado contatos com o Sinn Fein no mês passado com o objetivo de conseguir o compromisso do partido republicano de obter uma resolução pacífica para o conflito na Irlanda do Norte.
Os dirigentes governamentais se reuniram duas vezes com membros do Sinn Fein e programaram outro encontro, mas um porta-voz do escritório da Irlanda do Norte disse que ‘‘depois dos assassinatos de hoje (ontem) está excluída a possibilidade de um encontro com o Sinn Fein’’. O Sinn Fein está fora das negociações multipartidárias sobre o futuro da Irlanda do Norte, que foram retomadas há duas semanas, até que o IRA decrete um novo cessar-fogo.

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