Helicópteros israelenses fizeram ontem ao entardecer ataques intensos contra objetivos na Faixa de Gaza, em represália pelo atentado com bomba que de manhã causou a morte de dois colonos no sul da Faixa de Gaza.
Entre os alvos da cidade de Gaza estavam o quartel-general da polícia e a sede dos serviços de inteligência militares, afirmou um correspondente da France Presse, informando ainda que os helicópteros disparavam um míssil por minuto, e que pelo menos 20 deles tinham caído sobre a cidade. O fornecimento de energia elétrica foi cortado na cidade de Gaza, acrescentou.
Barcos de guerra israelenses também bombardearam a cidade de Gaza, além de ataques com helicópteros, em represália pelo atentado .
Durante o dia, uma dezena de barcos foram mobilizados ao longo da costa de Gaza, disseram essas testemunhas.
A polícia palestina respondeu aos ataques, tentando derrubar os helicópteros com armas automáticas.
Muitos pontos da Faixa de Gaza também foram atingidos pelos ataques aéreos, segundo testemunhas, ainda que sua localização não pode ser precisada por causa do caos reinante.
Esta incursão aérea é muito maior que a feita no dia 12 de outubro, depois que dois soldados israelenses foram linchados em Ramallah, norte da Cisjordânia. Os ataques de ontem foram decididos durante uma reunião do gabinete de segurança israelense, presidida pelo premier Ehud Barak.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, disse que o atentado de ontem na Faixa de Gaza foi obra de ‘‘homens do Fatah e do Tanzim’’ (milícias paramilitares palestinas), ‘‘sob a responsabilidade direta da Autoridade Palestina’’ de Yasser Arafat, acrescentou o primeiro-ministro.
‘‘É um atentado muito grave, um ato bárbaro e criminoso’’, disse Barak durante uma entrevista transmitida ao vivo pela televisão israelense realizada no hospital de Beer Sheba, onde estão os feridos do atentado à bomba contra um ônibus escolar.
‘‘É por isso que atacamos esses alvos’’, acrescentou Barak ao se referir aos ataques aéreos realizados ontem à noite contra a Faixa de Gaza.
‘‘Continuaremos a trabalhar com toda a nossa força para que cesse a violência e para que a Autoridade Palestina entenda que não conseguirá nada com a violência’’, prosseguiu.
Segundo a rádio estatal israelense, um alto responsável da inteligência do exército, o general Amos Gilboa, afirmou durante uma reunião do gabinete de segurança, presidido pelo premier Ehud Barak, que ‘‘membros da Fatah vinculados à Autoridade Palestina de Yasser Arafat (eram) responsáveis pelo ataque e não islamitas do Hamas ou do Jihad islâmico’’.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o Jihad Islâmico, os dois principais movimentos integristas palestinos, cometeram a maioria dos atentados contra alvos israelenses desde 1993.
Antes, o vice-ministro israelense da defesa, Efraín Sneh, tinha afirmado que ‘‘a direção militar palestina’’ estava envolvida nesse atentado com bomba. Mas esclareceu que não considerava Arafat ‘‘pessoalmente responsável’’ por essa ação.
O líder da oposição de direita israelense, Ariel Sharon, anunciou ontem que recusava o apelo do premier Ehud Barak, para a formação de um governo de ‘‘emergência nacional’’, depois do atentado a bomba que causou dois mortos israelenses na Faixa de Gaza.
‘‘O primeiro-ministro me telefonou, assim como outros líderes de partidos da oposição, para me convidar fazer parte de um governo de emergência nacional, e eu recusei totalmente este apelo’’, disse Sharon, falando em frente a uma barraca de campanha de ‘‘protesto’’, instalada por seu partido, o Likud, frente ao gabinete de Barak.
‘‘Trata-se de uma operação enganosa destinada a dar uma falsa impressão de que o primeiro-ministro quer de verdade a união nacional’’, concluiu Sharon.

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