Jacarta - Pelo menos 187 pessoas morreram e outras 309 ficaram feridas, 90 delas em estado grave, no atentado a bomba cometido na noite de sábado na ilha de Bali, na Indonésia, segundo balanço divulgado por fontes médicas.
As explosões, que ocorreram por volta das 23 horas locais perto da praia de Kuta, local preferido de surfistas e viajantes, transformaram um bar e uma discoteca em cenário repleto de sangue.
A polícia indonésia informou que entre os 187 mortos estão moradores da Austrália, Reino Unido, França, Alemanha e Suécia. Outras 309 pessoas ficaram feridas em um dos piores ataques contra turistas no mundo.
Os Estados Unidos qualificaram o ataque de um ''ato desprezível de terror'', que acontece após informações de que a rede Al Qaeda, do terrorista de origem saudita Osama bin Laden, estaria tentando estabelecer um ponto de apoio na Indonésia, a mais populosa nação muçulmana do mundo.
O governo norte-americano estaria reconsiderando sua presença diplomática na Indonésia. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelo ataque. A presidente indonésia, Megawati Sukarnoputri, que foi para Bali, disse que as explosões eram um alerta de que o terrorismo representava uma ameaça para a segurança nacional. Mas ela não forneceu detalhes sobre as suspeitas das autoridades. Acompanhada de vários ministros, ela visitou as ruínas da discoteca Sari antes de passar pelo hospital Sanglah, onde visitou vítimas com queimaduras e fez a doação de máscaras cirúrgicas.
Testemunhas e policiais descreveram duas explosões em Kuta: uma pequena na discoteca Paddys seguida por outra muito mais poderosa, alguns minutos depois, em frente à casa noturna Sari. Segundo uma porta-voz da embaixada dos Estados Unidos, a segunda explosão veio de um carro-bomba. O incidente provocou um gigantesco incêndio que destruiu os dois estabelecimentos, como também os prédios e comércios vizinhos.
Uma outra bomba explodiu a 50 metros do consulado honorário dos Estados Unidos em Sanur, área turística a cerca de 30 minutos de Kuta. Ninguém ficou ferido nessa explosão.
As explosões ocorreram no segundo aniversário do ataque contra o USS Cole no porto de Aden, Iêmen, ataque que foi ligado a Al Qaeda.
No mês passado, a embaixada americana e o consulado da cidade de Surabaya fecharam durante seis dias devido ao risco de atentados relacionados com a rede terrorista Al Qaeda, acusada pelos EUA de realizar os atentados de 11 de setembro de 2001, que deixaram cerca de 3.000 mortos.
Estrangeiros Sete australianos foram confirmados como mortos e 113 estão hospitalizados depois do atentado, declararam ontem as autoridades australianas. A Austrália enviou um avião militar com uma equipe médica para ajudar os hospitais locais e retirar os australianos feridos.
O ministério das Relações Exteriores britânico confirmou hoje a morte de um britânico na explosão. Entre os feridos foram identificados 27 britânicos, incluindo 15 que continuam hospitalizados, declarou o porta-voz do Foreign Office. O número de britânicos desaparecidos é de 15, segundo a mesma fonte.
O Ministério das Relações Exteriores disse ontem que o sargento brasileiro Antônio Farias pode estar entre as vítimas.
Segundo o Itamaraty, um grupo de 19 soldados brasileiros que trabalham em Dili, capital do Timor Leste, estava de folga sábado e havia viajado para Bali. Do grupo, apenas o sargento Farias não foi localizado. Os outros soldados já se reportaram à base e passam bem.

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