Karachi, Paquistão- A explosão de duas bombas ontem, no sul do Paquistão, matou 105 pessoas, no momento em que passava o comboio da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que escapou ilesa, informaram fontes médicas.
Até a noite de ontem havia 44 mortos no hospital Jinnah de Karachi, 22 no hospital Civil e outros 4 no Abbassi Shaheed. Outros 35 corpos foram levados para o Liaquat National Hospital.
O porta-voz do Ministério do Interior, Javed Cheema, relatou que ''houve uma explosão maciça no comboio'' e que, entre as vítimas, há muitos ''policiais e seguidores do PPP'', em referência ao Partido do Povo do Paquistão, de Bhutto.
''Benazir Bhutto está sã e salva'', completou o porta-voz.
A polícia informou que a ex-premier foi levada para a residência de sua família. O marido de Bhutto acusou o serviço paquistanês de inteligência pelo ocorrido: ''culpamos os serviços secretos e pedimos ações contra eles (...) isto não foi um ato de militantes, foi algo destes serviços'', disse Asif Ali Zardari. ''Nossa gente morreu, nossos trabalhadores morreram. Sacrificaram suas vidas pelo bem da democracia no Paquistão''.
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, condenou o ataque ''da maneira mais enérgica possível'', que definiu como uma ''conspiração contra a democracia''.
Segundo a polícia, aparentemente, as duas explosões foram causadas por dois suicidas, um deles a bordo de um carro-bomba.
O ministro paquistanês do Interior, Aftab Sherpao, declarou que o ataque, classificado por ele de ''ação terrorista'', era contra Bhutto. ''Foi um ato de terrorismo contra Benazir Bhutto e dirigido a sabotar o processo democrático (...) Suspeitamos que eram camicases, porque qualquer tipo de artefato previamente colocado ou acionado por controle remoto teria sido detectado pelos equipamentos eletrônicos dos veículos de segurança''.
A ex-primeira-ministra prometeu diversas vezes ''erradicar a ameaça islamita'' de seu país, castigado há três meses por uma onda sem precedentes de atentados suicidas. Com o novo episódio desta quinta-feira, sobe para pelo menos 400 o número de mortos nesse período no Paquistão.

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