Bagdá - Pelo menos 26 pessoas morreram ontem, entre elas dois soldados americanos, e outras 100 ficaram feridas no Iraque, país que vive uma situação sanitária ''trágica'' em comparação com os anos 80, segundo um informe da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um dia depois de uma quarta-feira que terminou com mais de 80 iraquianos mortos, um suicida jogou um carro-bomba contra um mercado do bairro Bagdá-Jadida, na zona leste da capital iraquiana, deixando 15 mortos, incluindo várias mulheres, e 84 feridos, segundo fontes médicas.
A população, revoltada, atacou os soldados americanos e os repórteres fotográficos, já que o atentado teve apenas civis como alvos, num horário em que o bairro estava particularmente cheio, a 50 metros da mesquita sunita de Samarrai e em frente a lojas e comércios ambulantes.
Segundo uma fonte do Ministério do Interior, o atentado foi cometido por um suicida na rua principal de Bagdá-Jadida às 11h locais (4h de Brasília). Pelo menos oito veículos civis ficaram completamente destruídos. Equipes de emergência e moradores do bairro retiraram os corpos carbonizados de um ônibus atingido pela explosão, enquanto os bombeiros apagavam os automóveis em chamas.
Alguns apartamentos foram seriamente danificados e os tetos de algumas casas da região caíram, enquanto muitas janelas das lojas próximas ficaram completamente destruídas. Um mecânico de 32 anos, Anuar Ibrahim, afirmou que o carro-bomba explodiu no meio de uma rua de mão dupla num momento em que não havia nenhum comboio do exército americano ou patrulha da polícia iraquiana.
Além da insegurança, a população iraquiana tem de enfrentar condições de vida cada vez mais difíceis. ''O informe descreve condições de vida bem trágicas'', disse o ministro do Planejamento, Barhem Saleh, ao presentar o documento, precisando que as más condições de vida se devem às guerras sucessivas, assim como ao escasso apoio da comunidade internacional.
Segundo o informe, a taxa de desemprego é alta e os iraquianos carecem de casas, infra-estrutura de saúde, eletricidade e água potável. ''Se se compara a situação atual com a dos anos 80, vemos que houve uma clara deterioração'', precisa o ministro.
O estudo mostra que a taxa média de desemprego é de 18,4%. Entre os jovens, ela chega a 33,4%. Entre os que fizeram os estudos secundários e superiores, ela pode ser de até 37,2%.
Falta energia elétrica em cerca de 85% das residências iraquianas e apenas 54% delas têm água potável (contra 75% há 20 anos), afirma o documento. Um quarto das crianças iraquianas (23%) são desnutridas e a diarréia é a principal causa de mortalidade infantil.

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