Atentado ameaça futuro do partido
O Partido Colorado, protagonista da vida política paraguaia no último meio século com o auxílio das Forças Armadas, tem seu futuro ameaçado pelo sangrento desenlace de suas disputas internas, com o assassinato de seu dirigente Luis María Argaña.
O líder Domingo Laíno - um conhecido opositor da ditadura (1954/1989) - considerou que o Colorado é um partido muito parecido com o Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México, que se manteve no poder durante os últimos 70 anos e ostenta o recorde mundial no assunto.
O PC dividiu o governo por 42 anos com os militares e outros quatro - entre 1989 e 1993 - com o general Andrés Rodríguez, cabeça do golpe militar que derrubou o ex-ditador Alfredo Stroessner e dirigiu a transição democrática.
Durante o regime de Stroessner, o Partido Colorado serviu para dar-lhe uma impressão de legitimidade nas convocatórias para as eleições, que invariavelmente terminavam com o triunfo oficialista.
Grande parte dos simpatizantes e militantes colorados está no gigantesco aparelho estatal criado por Stroessner e que a transição não pôde desmantelar. Os 200.000 funcionários públicos de que é composto constituem a formidável máquina clientelista que sustenta o grupo no poder.
O sistema de dominação, do tipo fascista, foi introduzido por Stroessner ao longo de seus quase 35 anos de poder absoluto, reciclado por Rodríguez através de um, mais velado mas sempre ativo, protagonismo militar.
Desde o afastamento de Stroessner do cenário político, que era a figura dominante e inquestionável da família colorada, as lutas internas foram se agravando.
A caprichosa dinâmica da política guarani, deixou o ex-estreito colaborador da ditadura, confrontado com seus correligionários, o presidente Raúl Cubas e o polêmico general reformado, Lino Oviedo.
Na semana passada, a sede do Partido foi objeto das disputas entre facções oviedistas e arganhistas, que protagonizaram violentos incidentes.
Os partidários do militar apoderaram-se do edifício depois de desalojar a dissidência interna que monopolizava a cúpula da associação, mas os seguidores de Argaña se autoproclamaram paralelamente como verdadeiras autoridades.
A ocupação do edifício e os enfrentamentos constituíram para os analistas a virtual quebra da organização.
Cubas, de 54 anos, havia conseguido a candidatura a presidente pela exclusão de Oviedo, em função de sua condenação a dez anos de prisão por um tribunal militar pela tentativa de um golpe de Estado.
Apesar da chegada dos oviedistas ao poder ter sido combatida pelo então presidente Juan Carlos Wasmosy em aliança com Argaña até as eleições, a vitória colorada consolidou o monopólio partidário de 51 anos no poder, 42 deles sob regimes militares.France PresseO veículo usado pelos criminosos foi incendiado e abandonado poucas quadras distante do local do atentadoFrance Presse





