Um ataque suicida palestino deixou três mortos na Faixa de Gaza ontem – dois soldados israelenses e o autor do atentado –, num duro golpe contra a frágil trégua palestino-israelense e caracterizando uma nova escalada de violência no Oriente Médio.
Um terceiro soldado israelense ficou ferido no atentado, ocorrido quando um palestino detonou um artefato explosivo a bordo de um jipe, confirmou ontem à noite uma porta-voz do Exército judeu.
As mortes de ontem foram as primeiras baixas sofridas pelo Exército de Israel desde o início da trégua negociada pelo diretor da CIA, George Tenet, em 13 de junho. O grupo militante islâmico Hamas assumiu a responsabilidade pela explosão.
O atentado suicida, que de acordo com algumas versões deixou cinco palestinos feridos, coincidiu com a chegada a Israel de novas missões diplomáticas dos Estados Unidos e da Europa, empreendidas pelo chefe de política externa da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, e pelo embaixador norte-americano William Burns.
Centenas de colonos judeus – enfurecidos pela repetição de emboscadas mortais contra eles – obstruíram durante a manhã o trânsito automobilístico de palestinos em importantes estradas da Cisjordânia. Em Sinjil, entre Ramallah e Nablus, os colonos tentaram entrar armados nas casas de uma aldeia árabe e incendiaram uma plantação.
As forças israelenses, por sua vez, bombardearam a aldeia palestina de Beit Lahya em retaliação ao atentado de Gaza, ferindo cinco moradores, um dos quais está em estado gravíssimo.
Em meio a este clima, Solana, o comissário europeu Miguel Moratinos e Burns conversaram com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e com o ministro israelense de Relações Exteriores, Shimon Peres, sobre as formas de manter a frágil trégua. Os diplomatas viajarão hoje a Ramallah para debater o assunto com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Os contatos diplomáticos atingirão o ápice na próxima semana, quando Sharon se reunirá em Londres com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e em Washington com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Logo em seguida, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, iniciará suas viagens pelo Oriente Médio.

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