O senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu emplacar na presidência da Eletronorte seu apadrinhado Silas Rondeau, numa negociação que envolveu também a presidência do Senado e terminou numa grande rasteira no ex-senador Ademir Andrade, do PSB, que lutava pelo cargo. O PT garantiu a diretoria de gestão corporativa da Eletronorte para Lourival Freitas, ex-deputado do partido pelo Amapá.
  O físico Luiz Pinguelli Rosa, um dos autores do programa de governo de Lula para a energia, foi nomeado presidente da Eletrobrás. Pesou na escolha o fato de Pinguelli ser ligado ao PT desde a fundação do partido, além de sua experiência no setor de energia elétrica.
  Pinguelli, porém, não é uma unanimidade dentro do PT. Seu nome chegou a ser cogitado para o Ministério de Minas e Energia, mas houve veto dentro do partido. Por causa de suas posições políticas, a escolha de seu nome encontrou resistências. Mas estas já acabaram, como explica Aline Cardoso, analista de energia do Banco Brascan: ‘‘Os nomes foram muito bem aceitos pelo teor técnico. O mercado estava esperando nomes extremamente ligados ao PT e não foi isso o que ocorreu na maioria das estatais. Os quadros dos diretores foram formados quase que diretamente a partir do teor acadêmico, o que dá maior confiabilidade. O único nome que não foi tão bem aceito num primeiro momento foi o de Pinguelli Rosa, mas isso acabou sendo absorvido devido à forte influência que a ministra Dilma Roussef (Minas e Energia) demonstra ter. E o mercado confia nela pela capacidade técnica já demonstrada’’.
  No governo de Lula, a palavra final para a escolha do dirigente das estatais é do próprio presidente. Os petistas e os aliados os indicam, mas sem a aprovação do presidente, nada feito. No dia 31 de janeiro, 26 presidentes de diretórios estaduais do PT reuniram-se em Brasília para negociar com o presidente do partido, José Genoino, as indicações que restavam para as estatais.
  Lula foi lá pessoalmente dizer a todos que eles deveriam se entender com os aliados. Só mandaria para o Diário Oficial os nomes de consenso.
  Os partidos aliados também têm recebido bons nacos na divisão das estatais. A presidência da Chesf foi destinada a Dilson da Conti, candidato derrotado ao governo de Pernambuco pelo PSB de Miguel Arraes. O PTB, que aderiu à campanha de Lula no segundo turno, assegurou para si a importante presidência da Infraero, estatal que controla os aeroportos do País.

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