Washington - O regime sírio de Bashar Assad pode se beneficiar dos ataques aéreos americanos contra alvos do Estado Islâmico (EI) - reconheceu o secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, nesta quinta-feira.
As tropas de Assad estão lutando contra vários grupos rebeldes.
"Sim", admitiu Hagel, ao ser questionado sobre "se Assad poderia se beneficiar" da ofensiva aérea lançada por Washington e apoiada por uma coalizão internacional contra os jihadistas do EI na Síria e no Iraque.
"A medida em que nós e a coalizão vamos atrás do EI para ajudar os iraquianos a proteger seu governo, é claro que Assad obtém algum benefício com isto", disse Hagel. "Temos que administrar a realidade que há pela frente com algumas estratégias de mais longo prazo (...) para chegar finalmente aonde acreditamos que precisamos ir", destacou Hagel, acrescentando que os Estados Unidos seguem exigindo a saída de Assad da presidência.
A estratégia de Obama para combater o EI é criticada nos Estados Unidos e no exterior por fortalecer potencialmente o regime de Assad, já que a aviação americana e aliada bombardeia um dos principais inimigos do regime em Damasco.
Em um memorando dirigido a Susan Rice, conselheira de Segurança Nacional de Obama, Hagel admite que a estratégia americana na Síria "corre o risco de se enfraquecer" precisamente pela confusão em torno da posição americana sobre Assad, segundo o "New York Times".
Hagel não confirmou ou desmentiu as informações do jornal na entrevista coletiva concedida nesta quinta, mas disse que ele e outros altos funcionários têm a responsabilidade de oferecer conselhos sinceros ao presidente dos Estados Unidos.

ACUSAÇÃO
Militantes da facção Estado Islâmico (EI) foram acusados na quinta de cometer dois massacres no Iraque. Segundo a Human Rights Watch, cerca de 600 detentos xiitas foram mortos em junho, quando a milícia tomou controle de Mossul, a segunda maior cidade do país, na província de Nineveh. Os detentos foram forçados a se ajoelhar antes de ser executados pela facção sunita, diz a ONG, que se baseou em relatos de 15 sobreviventes.
Segundo a organização, os presos xiitas foram separados de centenas de sunitas e de um grupo menor de cristãos, que foram soltos. Alguns presos curdos e yazidi, minoria étnico-religiosa perseguida pelos militantes, também foram mortos. Também na quinta, duas valas comuns com 220 corpos foram achadas na província de Anbar, disseram fontes de segurança e testemunhas. Os cadáveres seriam de alguns dos 300 membros da tribo sunita Albu Nimr, que foram massacrados nesta semana após se opor à captura de um território a oeste de Bagdá pela facção sunita. Localizada perto de Ramadi, a maior das valas tinha 150 corpos. A segunda foi encontrada perto da vila de Hit com 70 corpos. Segundo testemunhas, a maioria das vítimas da tribo eram policiais e membros de uma milícia contrária ao Estado Islâmico.

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