Ataques ofuscam projeto da ONU
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de agosto de 2006
Nagib Khazzaka<br> France Presse 
A violência aumentou ontem no conflito entre Israel e o Hezbollah libanês, deixando mais de 30 mortos, sendo 15 em Israel, e ofuscando o projeto de resolução franco-americano apresentado no Conselho de Segurança da ONU.
O projeto, que pede o ''fim das hostilidades'' mas não menciona um ''cessar-fogo imediato'' nem a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, foi rejeitado pelos libaneses e criticado por Irã e Síria. Damasco chegou a brandir a ameaça de uma ''guerra regional''.
No 26º dia de sua ofensiva militar, Israel foi alvo da salva de foguetes mais mortífera desde o dia 12 de julho, que deixou 15 mortos no norte do país.
No ataque mais sangrento, os foguetes do grupo xiita libanês mataram 12 militares e feriram outros cinco em Kfar Giladi, próximo à cidade de Kyriat Shmona, no extremo norte da Galiléia. Os foguetes caíram durante cerca de meia hora sobre a entrada de Kfar Giladi, destruindo uma vasta área e matando os militares de uma unidade de infantaria da reserva, que estavam acampados junto ao kibutz.
Em Haifa, três pessoas morreram e 160 ficaram feridas no ataque do Hezbollah contra um bairro residencial da cidade, onde um prédio desabou em chamas, atingidos por foguetes. O prédio que caiu estava situado em Wadi Nisnas, um dos bairros árabes de Haifa. No total, 48 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas nos ataques do Hezbollah com foguetes contra o território de Israel, desde o início do atual conflito.
No sul do Líbano e no vale do Bekaa, no leste do país, 17 pessoas, a maioria civis, foram mortas no domingo em operações israelenses, segundo a polícia. O Hezbollah, por sua vez, anunciou a morte de três de seus combatentes. Três capacetes azuis da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) foram feridos no sul do país. Durante a tarde, a aviação israelense bombardeou novamente a periferia sul de Beirute, feudo do Hezbollah. Desde o dia 12 de julho, início da ofenisva israelense no Líbano, o conflito já provocou a morte de cerca de 1.000 pessoas.
No sábado, França e Estados Unidos tinham conseguido resolver suas divergências para propor ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução prevendo o ''fim das hostilidades''. O Líbano rejeitou imediatamente o projeto de resolução, temendo uma nova ocupação da parte sul de seu território pelo Exército israelense, que posicionou desde o dia 12 de julho cerca de 10.000 soldados nesta zona.
Respondendo às preocupações libanesas, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, garantiu que os Estados Unidos não querem que o Exército israelense fique no Líbano ''de forma permanente''. Ela avisou, porém, que a resolução que pode ser votada hoje ou amanhã constitui apenas um ''primeiro passo'' para o fim dos combates.


