Bagdá - Pelo menos 59 pessoas foram mortas ontem no Iraque, no dia seguinte à conferência internacional durante a qual Bagdá pediu a seus vizinhos que não se intrometam nos assuntos iraquianos. O encontro reuniu em Bagdá as delegações de 17 países e organizações, entre eles os Estados Unidos e seus dois inimigos na região, o Irã e a Síria.
O atentado mais sangrento teve como alvo peregrinos xiitas que voltavam da cidade santa de Kerbala. Um carro-bomba explodiu contra um comboio de peregrinos no bairro de Karrada, no centro de Bagdá, matando 31 pessoas e ferindo outras 25.
Milhões de peregrinos xiitas deixaram Kerbala, 110 km ao sul de Bagdá, depois das celebrações da morte do imã Hussein (assassinado em 680), que reuniram ''entre seis e nove milhões de peregrinos'', segundo as autoridades locais.
Outros dez civis morreram num atentado suicida, quando um homem acionou seu cinturão de explosivos dentro de um microônibus no bairro de Mustansiriya, no nordeste da capital.
Durante a conferência, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, pediu aos vizinhos do Iraque que ponham um fim às suas ingerências no país.
O embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Zalmay Khalilzad, que se disse satisfeito com as discussões com os iranianos, pediu aos vizinhos do Iraque, entre eles o Irã, que impeçam a infiltração de combatentes ou de armas no país árabe.
O representante iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores Abbas Araghtchi, rejeitou as acusações americanas e afirmou que o Iraque precisa, ''para garantir a paz e a estabilidade, de um cronograma de retirada das tropas estrangeiras''.
Todos os participantes expressaram numa declaração comum seu ''apoio à soberania iraquiana e ao princípio de não-ingerência''.
Para o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, esta conferência, considerada de ''grande sucesso'' para seu país, foi uma tentativa de ''romper a hostilidade'' com o Irã para estabelecer ''um clima propício a negociações''.
Uma aliança de grupos sunitas, apoiada pelo braço iraquiano da Al-Qaeda, disse ontem num vídeo divulgado na internet que a conferência teve como objetivo ''erigir um muro para garantir a segurança de Israel''.
Além disso, Ellen Sauerbrey, a secretária de Estado adjunta americana encarregada das questões humanitárias, informou ontem no Cairo que os Estados Unidos receberão pelo menos 7.000 refugiados iraquianos nos próximos meses.
Mais de dois milhões de iraquianos fugiram de seu país, a maioria para a Jordânia e a Síria. Os Estados Unidos já foram criticados no passado por ter recebido apenas 466 refugiados iraquianos desde a invasão do país árabe, em março de 2003.

mockup