Ataques matam 15 em dia sagrado xiita
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sábado, 19 de fevereiro de 2005
Folhapress 
SÃO PAULO - Uma nova onda de atentados no Iraque matou ao menos 15 pessoas e feriu mais de 90, ontem, no dia da Ashura, a mais importante festividade xiita. Em dois dias, já são cerca de 50 o número de vítimas fatais da violência sectária no país.
No primeiro ataque de ontem, um homem-bomba numa motocicleta se explodiu numa tenda armada fora da mesquita xiita de Fatah Pasha, em Bagdá, matando ao menos quatro pessoas, afirmou a polícia iraquiana. Cerca de 50 pessoas participavam, na tenda, do funeral de uma vítima de atentado, anteontem, na mesma área.
No bairro de Al Adamiyah, na capital, disparos de obuses de morteiros perto de uma mesquita xiita mataram dois iraquianos, segundo um balanço médico. Em outro incidente, uma explosão dentro de um ônibus público em Bagdá matou pelo menos uma criança e cinco adultos, no bairro xiita de Kadhimiya.
Outro homem-bomba que teria como alvo um grupo da Guarda Nacional Iraquiana perto de uma mesquita no noroeste de Bagdá se detonou prematuramente e matou apenas a si mesmo.
Em outro atentado, um homem-bomba se explodiu num carro perto de uma base da Guarda Nacional em Baquba, matando um guarda iraquiano. Em Latifiya, ao sul de Bagdá, a explosão de um homem-bomba num posto de controle de Exército matou dois soldados iraquianos, segundo uma fonte militar.
Autoridades iraquianas tentam evitar uma repetição da última Ashura, no ano passado, em que 181 pessoas morreram em atentados em Karbala e Bagdá. Cerca de dois mil policiais e soldados estão patrulhando as ruas de Karbala, que concentra as celebrações. O tráfego de veículos, inclusive de bicicletas e carrinhos de mão, foi proibido na cidade.
A Ashura marca o martírio do imã Hussein, neto do profeta Muhammad e filho de Ali, primo e genro do profeta, em 680. Rituais de luto e de autoflagelação fazem parte das celebrações. Neste ano, a festividade coincide com a vitória xiita nas eleições legislativas.
Mouwaffaq al Rubaie, assessor de segurança nacional do governo interino, acusou o terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi e ex-membros do partido Baath, de Saddam Hussein, de tentar provocar uma guerra civil sectária. ''É paradoxal que eles afirmem que estão lutando contra os infiéis e, ao mesmo tempo, matem muçulmanos durante as orações'', disse. Al Rubaie afirmou que os xiitas não retaliariam.
Em outros incidentes, seis civis foram mortos em combates entre insurgentes e soldados americanos em Bagdá e Samarra. Os corpos de seis soldados iraquianos foram achados ao norte de Bagdá. Perto de Kirkuk, o xeque curdo Mohammed Ristem Abdul Rahman foi morto junto com a mulher por homens armados.
Ontem, a mãe de Meutya Viada Hafid, 26, uma dos dois jornalistas indonésios sequestrados no Iraque, fez um apelo pela libertação da refém. O outro sequestrado é o câmera Budiyanto, 36. O grupo Mujahidin no Iraque, que assumiu o sequestro, pediu que o governo da Indonésia explique o que eles estavam fazendo no país.
Uma delegação do Congresso americano, incluindo a senadora Hillary Clinton, visitou ontem o Iraque e teve encontros com membros do governo interino.


