São Paulo - Após uma ofensiva durante quase toda a madrugada de ontem contra o hotel de luxo Taj Mahal, em Mumbai, a polícia e as Forças Armadas indianas deram fim a uma tragédia que já durava quase quatro dias. Terroristas armados atacaram diversos locais na maior cidade indiana, o centro financeiro do país, e mataram ao menos 160 pessoas.
Três terroristas foram mortos no hotel Taj, considerado como o último bastião dos insurgentes em Mumbai. Ontem, tropas indianas tomaram o controle do hotel Oberoi e invadiram o centro judaico Chabad Lubavitch. Ambos os locais eram usados pelos criminosos para manter reféns após o massacre da última quarta-feira.
O hotel Taj Mahal Palace & Tower foi fundado em 1903 pelo avô do megaempresário Ratan Tata. Quase 60 horas após o início dos ataques o general Hassan Gafoor anunciou que as operações chegavam ao fim e todos os terroristas estavam mortos. Logo após, os comandos realizaram uma varredura nos 565 quartos do hotel, onde diversas explosões foram ouvidas na madrugada.
Os ataques começaram quando um número ainda indeterminado de terroristas avançou contra os dois luxuosos hotéis de Mumbai, uma estação de trem e o restaurante Café Leopold, frequentado por turistas, entre outros pontos. Entre os mortos há vários policiais e soldados indianos e ao menos 18 estrangeiros. O jornal indiano ''Times of India'' cita que 195 pessoas morreram.
Cerca de 320 pessoas ficaram feridas. As forças de segurança do país não descartam que o número de vítimas aumente nas próximas horas, quando será realizada a contagem exata e a identificação de todos os mortos. Nenhum brasileiro morreu nos atentados, considerados como o ''11 de Setembro'' da Índia.
Grupo suspeito
O grupo criminoso Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) se responsabilizou pelos atentados. Segundo a revista ''The Economist'', os criminosos enviaram um e-mail em setembro para agências de notícias indianas ameaçando atacar a cidade.
O especialista cingalês Rohan Gunaratna, pesquisador do Centro para o Estudo de Terrorismo da Universidade de St. Andrews (Escócia), descartou relação profunda do grupo com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden. ''Até podem ter se inspirado na Al Qaeda, principalmente no modo operacional. Mas acho que o vínculo não vai além disso'', afirmou.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, afirmou que os ataques terroristas em Mumbai têm participação de grupos estrangeiros. A declaração foi entendida como uma acusação ao governo Paquistão, já que os dois países vivem tensão histórica pela disputa da Caxemira.

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