São Paulo - No dia mais violento das últimas semanas em Bagdá, insurgentes mataram ontem pelo menos 25 pessoas em dois ataques. Uma das ações foi contra uma mesquita xiita, o que aumenta os temores de que a população iraquiana possa mergulhar num conflito sectário entre xiitas e sunitas. O atentado contra a mesquita xiita aconteceu em um bairro de maioria sunita, Aadhamiya, na zona norte da capital. Segundo testemunhas, foram duas explosões, pouco antes das 6h locais.
''A primeira explosão aconteceu assim que os fiéis estavam deixando a mesquita após as orações matinais. Todos na área correram para ajudar. Aí, poucos minutos depois, um carro explodiu no meio da multidão'', disse um homem enquanto varria pedaços de vidro estilhaçados de seu quintal. O atentado deixou 14 mortos e 19 feridos.
Por volta da mesma hora, também na região norte de Bagdá, 11 veículos pararam diante de uma delegacia no distrito de Amil. Cerca de 60 insurgentes desceram dos carros e começaram um ataque com granadas-foguetes e armas de pequeno porte. Eles invadiram o prédio, mataram ao menos 11 policiais e libertaram mais de 30 prisioneiros.
Em um comunicado divulgado na internet, cuja autenticidade não pôde ser comprovada, o grupo do terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi assumiu a autoria do ataque à delegacia: ''Os leões da Al Qaeda no Iraque atacaram o quartel-general dos apóstatas que venderam sua religião, honra e terra, a delegacia de Seydiya, matando todos que estavam dentro, exceto dois que fugiram''.
Al Zarqawi é hoje o principal inimigo dos EUA em liberdade no Iraque. Por sua captura, o governo americano oferece uma recompensa de US$ 25 milhões. Os relatos das agências internacionais são conflitantes sobre se o grupo de Al Zarqawi também assumiu o ataque à mesquita. Apesar de o comunicado na internet não ter sido suficientemente claro, semelhante ação por parte de Al Zarqawi, que é sunita, não seria improvável. Em fevereiro, soldados americanos descobriram CDs e documentos ligados a Al Zarqawi que mencionavam um plano de tentar acirrar as relações entre sunitas e xiitas.
Em março, homens-bomba se explodiram no meio de multidões que celebravam uma data religiosa em Bagdá e Karbala (sul). Mais de 130 morreram nos ataques e mais tarde Al Zarqawi assumiu a responsabilidade pelas ações.
A proximidade das eleições legislativas, marcadas para o fim de janeiro, está aumentando os atritos entre sunitas e xiitas e Al Zarqawi pode ter pensado em fazer ações para jogar um lado contra o outro. Já os sunitas, que somam 20% dos iraquianos, estão querendo protelar as eleições por pelo menos seis meses, com o argumento de que a violência vai impedir o voto em diversas regiões do país. Em Mossul (norte), rebeldes atacaram três delegacias da cidade. De acordo com o general Rashid Feleih, as forças iraquianas reagiram, matando 11 insurgentes e capturando três.
A Casa Branca informou que, na segunda-feira, o presidente americano, George W. Bush, recebe em Washington o presidente iraquiano interino, Ghazi al Yawar. O iraquiano que estará acompanhado pelos ministros da Indústria, da Defesa, dos Transportes e de Obras Públicas fará antes uma visita ao Reino Unido.

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