Seis ataques realizados supostamente por guerrilheiros islâmicos opostos a um cessar-fogo na Caxemira mataram 76 pessoas em menos de 24 horas horas no disputado território que faz fronteira com o Paquistão, disse ontem a polícia local. Os ataques, ocorridos na noite de anteontem e na manhã de ontem, aconteceram quando o governo indiano preparava-se para negociar com o principal grupo guerrilheiro na Caxemira, onde mais de 25 mil pessoas morreram durante os 11 anos de revolta islâmica.
Os guerrilheiros mataram 12 pessoas na vila hindu de Pogal, no sul da Caxemira na manhã de ontem, disse o inspetor-geral de polícia S.P. Vaid, do distrito de Jammu. A vila está localizada a 180 quilômetros ao sul de Jammu, a capital de inverno do estado de Jammu-Kashmir.
Em Karlaroos, a 100 quilômetros ao norte de Srinagar, a capital de verão, homens armados mataram cinco membros de uma família na casa de um policial e um membro de uma unidade civil armada. Outros três ataques separados ocorreram na noite de anteontem.
Guerrilheiros armados chegaram à vila de Mir Bazar, região de Anantnag, na noite de terça-feira, forçando as pessoas a saírem de suas casas e separando mulheres e crianças dos homens, disse a polícia de Srinagar. Dezoito homens foram enfileirados e fuzilados, informou a polícia. Os mortos eram funcionários de uma fábrica de tijolos que haviam emigrado de outros estados indianos à procura de trabalho.
Na noite de terça-feira, a cerca de 15 quilômetros de Anantnag, milicianos invadiram casas e mataram oito trabalhadores que haviam migrado do estado de Bihar, disse Vaid, que lembrou que toques de recolher haviam sido impostos em diversas cidades
O ataque ocorreu horas depois que homens não identificados abriram fogo contra peregrinos hindus e carregadores muçulmanos que estavam a caminho de um santuário religioso hindu num estado de maioria muçulmana.
O número de mortos do primeiro ataque subiu para 30. Ninguém assumiu ainda a responsabilidade pelo primeiro ataque, ocorrido em Pahalgam, uma cidade a 90 quilômetros ao sul da capital do estado de Srinagar. Mas a polícia disse que suspeita de guerrilhas islâmicas que lutam pela independência da Caxemira.
Dois terços da Caxemira são controlados pela Índia, o restante está sob domínio paquistanês. Mais de 12 grupos guerrilheiros vêm lutando contra as forças de segurança com o objetivo de tornar a Caxemira independente. Alguns grupos querem que o território una-se ao Paquistão.
O ministro-chefe do estado, Farooq Abdullah, disse que 11 peregrinos foram mortos no primeiro ataque. As demais vítimas pertenciam a forças de segurança, carregadores e homens de negócio.

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