São Paulo - Os ataques da coalizão internacional que há seis dias têm atingido alvos militares na Líbia já deixaram cerca de cem mortos, entre eles civis, segundo um balanço provisório do regime de Muamar Kadafi informado ontem por Mussa Ibrahim, porta-voz do governo.
Um médico líbio declarou que somente em Misrata houve 109 mortos e mais de 1,3 mil feridos nos últimos dias. As informações chegam após a notícia de que um jato francês atirou e derrubou um avião militar líbio que sobrevoava a cidade de Misrata, na primeira violação do regime à zona de restrição aérea imposta desde sábado pelas forças da operação Aurora da Odisseia, que visa ainda a proteger os civis dos ataques das forças leais ao ditador Muamar Kadafi.
Segundo a imprensa americana, que cita oficiais americanos, o avião líbio era um Soko G-2 Galeb. Ele sobrevoava Misrata, cidade sob controle dos rebeldes e que há dias é atacada por tanques e franco-atiradores das forças do ditador.
Em uma entrevista coletiva, oficiais das Forças Armadas francesas disseram apenas que seus jatos atacaram uma base militar a 250 quilômetros da costa mediterrânea da Líbia, durante a noite.
O ataque foi realizado com mísseis Scalp disparados por patrulhas de Rafales e Mirages 2000-D, declarou o coronel Thierry Burkhard, porta-voz do Estado Maior, sem precisar a localização exata da base.
Segundo a Enciclopédia de Aviões de Guerra Modernos, um Soko G-2 Galeb é uma aeronave desenvolvida pela Iugoslávia, com um motor e dois assentos, usada para ataques à terra e missões de reconhecimento.
O avião, que pode ser equipado com bombas leves e foguetes, é capaz de chegar a velocidade de um jato de passageiros. Sua produção começou em 1964 e foi interrompida 21 anos depois.
Vítimas
A televisão estatal líbia mostrou ontem imagens de corpos que garantem ser de civis e militares mortos nos bombardeios que a coalizão internacional realizou durante a noite no bairro de Tayura, ao sul de Trípoli.
Os aviões da coalizão internacional, que impuseram a zona de exclusão aérea na Líbia, bombardearam durante a noite o sul da capital, segundo a televisão estatal, que acrescentou que também houve ataques aéreos sobre as cidades de Sebha e Jafra, ao sul do país.
Fontes militares líbias citadas pela agência oficial Jana garantiram que várias pessoas morreram pelos ataques lançados em diversas zonas civis e militares. A agência indicou que entre os inúmeros mortos e feridos há crianças e idosos, e que muitas vítimas ficaram queimadas e esquartejadas.

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