Ataques coordenados matam 30 em Bruxelas; EI reivindica autoria
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terça-feira, 22 de março de 2016
Juliano Machado<br>Folhapress 
Bruxelas - Quatro meses após a série de atentados em Paris que matou 130 pessoas, o alvo ontem foi Bruxelas, sede da União Europeia e considerada a capital política do bloco. Ao menos 30 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em dois ataques - um no aeroporto internacional de Zaventem e outro no metrô. Assim como em Paris, a facção terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria dos atentados, apenas quatro dias depois de a polícia belga ter prendido Salah Abdeslam, de 26 anos, um dos principais envolvidos na ação em Paris. "Temíamos um atentado, e aconteceu. É um momento trágico, um dia negro", disse o premiê, Charles Michel.
Eram 8h15 da manhã (4h15 em Brasília) quando duas explosões quase simultâneas atingiram o terminal principal de Zaventem, no check-in. Uma testemunha disse ter ouvido um grito em árabe segundos antes do ataque. "Vi um soldado arrastando um corpo", disse Tom De Doncker, de 21 anos, que trabalha no check-in e estava perto da segunda explosão. Ao menos dez pessoas morreram ali.
O promotor belga Frederic Van Leeuw confirmou que as autoridades procuravam um suspeito. Vestido com uma jaqueta clara, chapéu e óculos de sol, ele aparece nas imagens das câmeras de segurança ao lado de dois outros homens que "muito provavelmente se suicidaram com explosivos", disse Van Leeuw. O terceiro homem foi visto correndo pelo terminal. Francis Vermeiren, prefeito do município de Zaventem (colado a Bruxelas), disse que eles chegaram de táxi e levavam as bombas nas malas. Segundo disse o ministro do Interior belga, Jan Jambon a uma TV, ele correu depois que a bomba em sua mala falhou.
Por volta das 9 horas, veio o segundo ataque. Um suicida detonou explosivos em um vagão do metrô na estação de Maelbeek, a 200 metros da Comissão Europeia, o braço executivo da UE. Ileso, o maquinista, Christian Delhasse, disse à emissora belga RTBF que ouviu o estrondo e pensou ser um problema técnico. "Ao parar, vi corpos pelo vagão." Morreram ali ao menos 20 pessoas.
O governo belga elevou o alerta contra terrorismo para o nível quatro, o mais alto. Todos os voos em Zaventem, por onde passa 1,5 milhão de passageiros por mês, foram cancelados, e a polícia isolou a área em torno do terminal. O aeroporto não funcionará hoje. As estações de trem e metrô também ficaram fechadas e só foram reabertas às 16 horas locais.
AMEAÇA
As autoridades europeias vinham se preparando para um grande ataque havia semanas e alertavam sobre o EI. Segundo um agente da Inteligência iraquiana ouvido pela Associated Press, a facção planejava havia dois meses realizar ataques na Europa que teriam como alvo "aeroportos e estações de trem". De acordo com esse funcionário, os europeus foram avisados, "mas Bruxelas não fazia parte dos planos na época". Ele disse que a ação desta terça tem relação com a prisão de Abdeslam, na sexta.
A suspeita se reforçou pelo fato de haver foragidos ligados aos atentados de Paris. Os principais são o belga-marroquino Mohamed Abrini, de 31 anos, amigo de Abdeslam, e Najim Laachraoui, de 24, de nacionalidade não divulgada. Após ser preso, Abdeslam disse às autoridades que havia criado uma nova rede e planejava mais ataques.
Após buscas em vários pontos de Bruxelas, promotores belgas disseram ter encontrado um "dispositivo explosivo com pregos", produtos químicos e uma bandeira do EI no bairro de Schaerbeek, próximo da estação de metrô onde houve o ataque. Apesar da orientação do governo para que a população evitasse sair de casa, muitos foram às ruas para demonstrar solidariedade. Uma das principais vias do centro de Bruxelas foi coberta por flores e mensagens de apoio escritas com giz no asfalto, com dizeres como "Paz" e "Bruxelas, minha bela".


