Ataques contra xiitas matam mais de 140 no Iraque
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de março de 2004
Mohamed Hasni<br>France Presse 
Ontem foi o dia mais sangrento desde a queda de Saddam Hussein, em abril do ano passado
Bagdá - Mais de 140 pessoas, inclusive mulheres e crianças, morreram e cerca de 500 ficaram feridas ontem em uma série de atentados quase simultâneos, alguns cometidos ao que parece por camicases, contra xiitas que comemoravam o ashura na cidade santa de Kerbala (centro) e em um santuário xiita de Bagdá, o mausoléu do imã Musa al Kazem.
Foi o dia mais sangrento desde a queda do regime de Saddam Hussein a 9 de abril de 2003. Os atentados aconteceram apesar das fortes medidas de segurança estabelecidas pela polícia e pelos milicianos xiitas que queriam que o primeiro ashura sem Saddam transcorresse em calma.
Imediatamente, as acusações caíram sobre o jordaniano Abu Musab al Zarqaui, suspeito de estar relacionado com a organização terrorista Al Qaeda de Osama bin Laden e ''suspeito número um'' nos atentados ocorridos em 2003 em Najaf, outra cidade santa xiita iraquiana, e na sede da ONU em Bagdá. Vários dirigentes iraquianos também apontaram a responsabilidade desse jordaniano, por quem Washington oferece 10 milhões de dólares de recompensa.
A mensagem dos autores dos ataques, que escolheram a data mais simbólica para a confissão xiita e buscaram causar o maior número possível de vítimas, não pode ser mais clara para os dirigentes iraquianos. Esses dirigentes, sem distinção confessional nem política, estimaram que o objetivo era ''semear a discórdia entre sunitas e xiitas'' e impedir a coexistência pacífica entre as duas comunidades religiosas mais importantes do país.
O general americano Mark Kimmit se referiu a Zarqaui em 12 de fevereiro passado como o ''pior terrorista que pode haver no Iraque''. Segundo o general, possui toda uma rede de contatos na Europa, Ásia, África e Oriente Médio.
Em um documento de 17 páginas atribuído a Abu Musab al Zarqaui publicado pela coalizão, o autor afirma ter participado de 25 operações no Iraque. Segundo Dan Senor, porta-voz do administrador americano Paul Bremer, no documento se faz um apelo à ''guerra civil'' intercomunitária entre xiitas, majoritários no Iraque, e sunitas, até agora a elite política e militar do país.


