Homens resgataram um bebê dos escombros de um edifício destruído durante ataque aéreo no norte da cidade de Aleppo
Homens resgataram um bebê dos escombros de um edifício destruído durante ataque aéreo no norte da cidade de Aleppo | Foto: Ameer Alhalbi/AFP



Alepo - Violentos bombardeios voltaram a atingir ontem (21) Aleppo (norte da Síria), epicentro do conflito sírio, muito distante de Nova York, onde as negociações para retomar a trégua atravessavam dificuldades pelas divergências entre russos e americanos. "Tudo pode pender para um lado ou para o outro", advertiu ontem o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ante o Conselho de Segurança, que debate a situação na Síria e o fracasso de mais um cessar-fogo, decretado em 9 de setembro.
Os chefes da diplomacia americana e russo, John Kerry e Serguei Lavrov, artífices da trégua, intervêm na reunião. No entanto, a atitude de boa vontade que mostravam há uma semana parece ter evaporado com a retomada dos bombardeios e dos combates em vários fronts da guerra.
Em um dos ataques morreram dois motoristas de ambulância e dois enfermeiros, ao sul de Aleppo, informou a União de Organizações de Socorros e Cuidados Médicos, que opera em toda a Síria. A mesma havia informado inicialmente que um de seus centros havia sido atacado, mas depois esclareceu que isso se deveu à "confusão inicial".
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) disse que o bombardeio estava dirigido contra o "Exército da Conquista", um grupo rebelde que inclui a Frente Fateh al-Sham (ex-braço sírio da Al-Qaeda) e outros grupos islamitas.
Os funcionários médicos foram atingidos quando retiravam os feridos do ataque.
Não foi determinada a nacionalidade dos aviões que realizaram o bombardeio, mas as forças aéreas do regime e de seu aliado russo costumam atacar a província de Aleppo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síria é o país mais perigoso para as equipes de saúde, com 135 ataques contra centros médicos em 2015.

CHUVA DE MORTEIROS
Na madrugada de ontem foram registrados dezenas de bombardeios contra Aleppo e os arredores desta cidade, dividida entre leais ao regime e rebeldes, informaram um correspondente da AFP e uma ONG.
Um jornalista da AFP na parte rebelde da segunda cidade da Síria constatou "ao menos 100" explosões da meia-noite às 5h da madrugada (23h de Brasília).
Um imóvel de seis andares foi completamente derrubado no bairro rebelde de Sukari, segundo o mesmo. "Só havia dois irmãos dentro do edifício", indicou à AFP Abu Ahmad, que vivia em um edifício vizinho, enquanto retirava os escombros da calçada. "Visitei-os uma hora antes do bombardeio, tomamos juntos o chá e agora estão mortos", lamentou.
O OSDH informou sobre dezenas de bombardeios na metrópole e em seus arredores, sem fornecer um balanço de vítimas.

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