Ataque terrorista mata 12 em Paris
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2015
Graciliano Rocha<br>Folhapress 
São Paulo Supostos terroristas islâmicos invadiram nesta quarta-feira a sede do semanário satírico francês Charlie Hebdo, conhecido pela publicação de charges satíricas sobre o islã, e mataram a tiros 12 pessoas. Os cartunistas mais influentes da França foram o alvo do maior atentado no país nos últimos 50 anos.
O ataque foi planejado e executado por pelo menos três pessoas. Citando fontes na polícia, o jornal Libération e a agência Associated Press afirmaram que eles já foram identificados.
Eles seriam Said Kouachi, de 34 anos, Chérif Kouachi, de 32, e Hamyd Mourad, de 18, franco-argelinos e moradores de Gennevilliers (periferia de Paris). Até às 20 horas desta quarta, a informação não foi confirmada pelo governo francês.
Armados com fuzis Kalashnikov e encapuzados, dois homens mascarados entraram no prédio da redação, na Rua Nicolas Appert, a 400 metros da Praça da Bastilha. Outras 11 pessoas foram feridas, quatro em estado grave.
Os terroristas foram direto para o segundo andar do edifício, onde era realizada a reunião de pauta da publicação - outra indicação de que o momento do atentado foi escolhido para causar o máximo de vítimas.
O advogado do semanário, Richard Malka, disse que os terroristas separaram as mulheres e pediram para os homens se identificarem e, só então, começaram a atirar à queima-roupa, indicando que os alvos já estavam previamente escolhidos.
Quatro eram os cérebros e os traços da Charlie Hebdo: o diretor de redação Stéphane Charbonnier, o Charb, Jean Cabut, o Cabu, Georges Wolinski e Bernard Verlhac, o Tignous.
VINGANÇA
Dentro do prédio, onze pessoas foram mortas - oito eram jornalistas/cartunistas, um era um convidado da redação e um funcionário da manutenção do prédio (baleado na recepção).
Os terroristas mataram ainda policiais que protegiam o prédio em virtude das ameaças de extremistas. Franck Brinsolaro, encarregado da segurança de Charb, foi morto na redação, e Ahmed Merabet, fora do prédio. Ferido, Merabet agonizava na calçada, quando um dos terroristas voltou e disparou em sua cabeça.
Um vídeo feito por vizinhos flagrou o assassinato. Logo após atirar no policial sem defesa, dois homens entraram em um Citroën C3 onde o terceiro terrorista aguardava com o motor ligado, no boulevard Richard Lenoir. Antes de os autores do crime entrarem no carro, um deles gritou: "Allah Akbar" ("Deus é Grande") e "O profeta está vingado. 'Charlie Hebdo' está morto". O C3 foi abandonado no extremo nordeste de Paris. Os terroristas roubaram outro carro para seguir em fuga.
CAÇADA
Com os terroristas ainda em fuga, o governo francês elevou para o nível máximo o alerta de terrorismo. Segundo o primeiro-ministro Manuel Valls, serviços de segurança e socorro foram colocados em alerta.
Até as 22 horas (19 horas em Brasília), as ruas de acesso ao prédio do Charlie Hebdo continuavam bloqueadas e peritos vasculhavam o local do atentado em busca de evidências, como o DNA dos suspeitos. O governo também reforçou a vigilância em templos, meios de transporte e pontos turísticos da capital francesa.
Cerca de 100 mil pessoas se mobilizaram em toda a França em solidariedade às 12 vítimas fatais do ataque. O principal ato ocorreu na Praça da República, em Paris, e reuniu 35 mil franceses. O evento foi marcado pela preocupação em não estigmatizar os árabes e muçulmanos que vivem na França.


