Um atentado suicida na Faixa de Gaza reforçou ontem o temor dos israelenses de uma nova onda de ataques, enquanto se afastava a perspectiva de um governo de ‘‘união nacional’’ em Israel, depois que o primeiro-ministro, Ehud Barak, se recusava a conceder o direito de veto à oposição de direita do Likud.
Apesar dos confrontos esporádios entre soldados israelenses e manifestantes que deixaram 33 palestinos feridos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a quantidade e intensidade dos distúrbios continuavam diminuindo.
Um camicase do Jihad Islâmico que se lançou de bicicleta contra uma posição do exército israelense na Faixa de Gaza. A explosão da carga que levava o matou e feriu levemente um soldado israelense.
O Jihad Islâmico, que ontem comemorava o quinto aniversário do assassinato, em Malta, de seu líder Fathi Chakaki, por supostos agentes do Mossad (serviço secreto israelense), reivindicou o atentado suicida.
Informou que o ataque foi cometido por Nabil Faraj al Arrir, de 24 anos, ‘‘é somente o começo de uma série de atentados suicidas’’.
No terreno, 33 palestinos ficaram feridos durante confrontos com o exército israelense na Faixa Gaza e na região de Hebron e Ramallah (Cisjordânia).
Um palestino de 14 anos, Alaa Mohamed Mahdudh, morreu num hospital da Arábia Saudita, por causa dos ferimentos que recebeu no começo deste mês.
Subiu para 140 o balanço de mortos, árabes em sua maioria, desde que começaram os distúrbios, a 28 de setembro. Os confrontos também deixaram mais de 4 mil feridos.
A Autoridade Palestina desmentiu qualquer vínculo com o atentado suicida, depois que o exército israelense a acusou de tê-lo ‘‘autorizado’’.
Em uma reunião do Partido Trabalhista de Tel Aviv, o primeiro-ministro israelense afirmou: ‘‘Eu me comprometi pessoalmente em favor da paz, como escolha estratégica e como único meio para resolver o conflito’’ com os palestinos, referindo-se à formação de um governo de união nacional com o Likud.
‘‘Um governo de emergência nacional não deixará de buscar a paz e não se transformará em um governo de guerra’’, afirmou.
‘‘Não temos intenções de aceitar nenhum veto do Likud’’, exclamou Barak, rechaçando dessa forma a principal condição pleiteada pelo líder do Likud, Ariel Sharon, para formar um governo de emergência nacional.
As discussões entre as duas partes tropeçam com as condições pleiteadas por Sharon que exige, em particular, ter um direito de veto em todas as decisões referentes ao processo de paz.
O Likud se opõe categoricamente a qualquer concessão territorial aos palestinos, analisada por Barak na cúpula de Camp David (de 11 a 25 de julho nos Estados Unidos).
‘‘Desde a assinatura do acordo de Oslo (em 1993 com os palestinos), Israel entrou numa espiral perigosa e complicada’’, lamentou Sharon.

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