Ataque sem aval da ONU é ilegal
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segunda-feira, 10 de março de 2003
France Presse 
Haia O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, declarou ontem, em Haia que uma intervenção militar norte-americana no Iraque, sem a autorização do Conselho de Segurança, ''não está em conformidade com a Carta'' das Nações Unidas. ''Se os Estados Unidos empreenderem uma intervenção militar fora do Conselho de Segurança, isso não estará de acordo com a Carta'' das Nações Unidas, frisou.
Annan insistiu no risco da ilegitimidade de uma ação militar sem o beneplácito do Conselho de Segurança. ''A legitimidade desta ação ficaria seriamente afetada'', disse.
Ele exortou novamente os membros do Conselho de Segurança a conseguir uma posição homogênea sobre o Iraque porque, segundo afirmou, ''a guerra deve ser sempre o último recurso''. Neste sentido, destacou o caráter imprevisível de qualquer confronto bélico e ''os grandes sofrimentos humanos'' que o conflito traria inevitavelmente, ''seja ele rápido ou longo''.
''As Nações Unidas têm o dever de buscar até o último instante uma solução pacífica'', já que ''os povos do mundo inteiro querem que esta crise seja resolvida pacificamente'', estimou.
Além disso, afirmou que o mundo estava num ''ponto perigoso de divisão'' no que diz respeito à crise iraquiana, lembrando que ''não há lugar para divisões e disputas sobre este tema crítico''.
Mas, independentemente do desenlace da crise, ''a importância'' das Nações Unidas não ficará abalada em sua qualidade de árbitro internacional, afirmou Annan.
França veta O presidente da França, Jacques Chirac, anunciou na noite de ontem que a França usará seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU votando ''não'' a uma nova resolução sobre o Iraque, ''quaisquer que sejam as circunstâncias''.
''Quando um dos cinco membros do Conselho de Segurança vota não, apesar da maioria, a resolução não é aprovada e é isso o que chamamos de direito de veto'', explicou.
Se um membro permanente do Conselho de Segurança, como é o caso da França, vota não, isso equivale a um veto automático.
Além disso, advertiu que ''outros regimes poderiam ser incluídos na mesma situação'' que o Iraque e citou a Coréia do Norte, que ''possui armas de destruição em massa, sobretudo nucleares''.
Quanto ao risco representado pelo regime iraquiano, Chirac afirmou que de 1991 a 1998 ''houve um sistema de inspeções'' que ''destruiu mais armas no Iraque que durante toda a guerra do Golfo''.
Rússia também A Rússia vetará o projeto de resolução norte-americano-britânico autorizando o uso da força contra o Iraque se for apresentado ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, anunciou ontem o ministro russo de Relações Exteriores, Igor Ivanov, em um comunicado.
Se o referido plano for apresentado ao Conselho de Segurança, ''então a Rússia utilizará seu veto contra a resolução'', afirmou Ivanov.
É a primeira referência direta a um veto feita pelo chanceler russo.


