Ataque rebelde mata 17 na Colômbia
Associated Press
De Bogotá
Um devastador e maciço ataque rebelde contra uma população no noroeste da Colômbia deixou 17 mortos, incluindo quatro menores, enquanto sete agentes da polícia foram sequestrados por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O ataque promovido por cerca de 300 membros das Farc teve início por volta das 16 horas de sexta-feira na cidade de Narião, uns 165 km ao noroeste de Bogotá. A batalha se prolongou até a madrugada de ontem, indicaram as autoridades. O ataque com mísseis caseiros e metralhadoras teria destruído mais de 30 casas da cidade.
Existe grande destruição e grande preocupação entre a população civil, afirmou o general Jorge Linares, da direção da Polícia Nacional.
O pequeno município de Narião fica no fundo de um canyon, circundado por montanhas da cadeia dos Andes. O ataque teria sido realizado por uns 300 rebeldes.
As Farc têm cerca de 17 mil combatentes e são o maior dos três grupos rebeldes marxistas em operação no país. Uma outra organização de esquerda, o guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN), negou ontem que tenha sequestrado na sexta-feira um avião comercial venezuelano, da empresa Avior, com 16 pessoas a bordo.
Tanto militares da Colômbia como da Venezuela suspeitam que o desaparecimento do aparelho tenha sido uma ação do ELN, que mantém como reféns outras 70 pessoas. No sábado, comandantes do Exército dos dois países reuniram-se na fronteira e declararam que o ELN havia assumido a autoria do sequestro em sua página da Internet.
Nada temos a ver com o desaparecimento do avião venezuelano, disse o comandante do ELN Antonio García, que leu um comunicado do grupo. O avião ia da cidade de Barinas para Guasdualito, na fronteira com a Colômbia. García enfatizou que, com a posse de Hugo Chávez na presidência da Venezuela, o grupo fixou publicamente o compromisso de não realizar ações em território venezuelano.
Funcionários da Defesa civil e da Aeronáutica venezuelana informaram na sexta-feira que os tripulantes não enviaram nenhum sinal de emergência.
Pesquisa publicada ontem pelo jornal colombiano El Tiempo mostrou que no fim de julho, em sete cidades do país, as únicas figuras do país menos populares do que o presidente Andrés Pastrana eram os líderes dos grupos guerrilheiros e paramilitares.
As opiniões negativas sobre a administração de Pastrana passaram de 13% em fevereiro para 31% em julho. Já os que consideram bom o desempenho dele passaram de 32% para 16%. A sondagem constatou que 88% dos colombianos estão pessimistas quanto ao futuro do país. Em fevereiro, eram 66%. Esta semana Pastrana celebra seu primeiro ano à frente do governo. Segundo os pesquisadores, tais níveis de desencanto não se registravam no país desde 1992, quando o ex-chefe do cartel de Medellín, Pablo Escobar, escapou da prisão.
Em outra sondagem publicada pelo El Tiempo, 54% dos colombianos disseram aprovar uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos para solucionar o conflito armado que o país vive há 40 anos, enquanto 43% se mostraram contrários.





