Uma explosão danificou ontem um monastério ortodoxo do século 13, abalando um já frágil cessar-fogo que é a condição-chave para o envio de milhares de soldados da Otan para a Macedônia. Ainda assim, oficiais da Otan disseram que a missão deve começar nas próximas horas.
O ataque contra o monastério Sveti Atanasi, na cidade de Lesok, ocorreu por volta das três da madrugada. A forte explosão destruiu paredes, afrescos e causou danos generalizados.
A ministra da Cultura da Macedônia, Ganka Samoilova Cvetanovska, comparou o ataque à destruição das estátuas de Buda pelo Taleban no Afeganistão. Ela culpou pelo atentado rebeldes albaneses étnicos, que começaram no mês passado a promover vários ataques contra a vila situada a oito quilômetros de Tetovo, a segunda maior cidade da Macedônia. Os rebeldes negaram responsabilidade.
''Ataques contra locais sagrados são totalmente inaceitáveis e mina os esforços de todos aqueles que lutam para restaurar a paz e a estabilidade'', disse num comunicado o secretário-geral da Otan, George Robertson.
A explosão e outras esporádicas violações do cessar-fogo ocorreram enquanto a Otan decide se existe calma suficiente para enviar uma missão que coletará armas dos rebeldes albaneses, como previsto num recente acordo de paz.
Apesar de tais violações, acredita-se que o conselho deliberativo da aliança irá aprovar hoje o início da missão, enviando cerca de 3.500 soldados para a Macedônia, informaram fontes da Otan. O comandante supremo da aliança na Europa, general Joseph Ralston, relatou ontem ao conselho os resultados de sua visita na segunda-feira à Macedônia.
Os rebeldes lançaram uma insurgência seis meses atrás dizendo que lutavam por mais direitos para a minoria albanesa étnica, que representa cerca de um terço dos 2 milhões de habitantes do país. O governo macedônio afirma que os insurgentes querem capturar território e formar um Estado próprio, que seria unido à província sérvia de Kosovo.

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