Ataque no Timor Leste fere brasileira
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quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
Milícias contrárias à independência de Timor Leste atacaram um acampamento de refugiados ontem no Timor Oeste. Eles mataram três funcionários das Nações Unidas (ONU) e deixaram 30 feridos, entre os quais a brasileira, Margarita Rodrigues.
O acampamento, que fica na cidade de Atambua, na fronteira com o Timor Leste, abrigava funcionários do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
Até ontem, o Itamaraty ainda não havia confirmado se Margarita, que foi transferida para um hospital e não corre risco de vida, integra o corpo de voluntários brasileiros no Timor ou de funcionários brasileiros contratados pela ONU. Segundo o Itamaraty, o nome de Margarita não consta da lista da Untaet, missão da Onu no Timor Leste, nem da lista da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que também enviou voluntários à ex-colônia portuguesa.
Atualmente, além dos 70 soldados da polícia do Exército de São Paulo, que substituiram recentemente a tropa de Brasília enviada ao Timor no início do ano, há cerca de 30 brasileiros contratados pela ONU e oito voluntários da Igreja católica. Mas, de acordo com o Itamaraty, é difícil saber exatamente quantos brasileiros há no Timor, porque existem voluntários que viajam intermediados por organizações não-governamentais (ONGs).
Apesar de os timorenses terem optado pela independência da ilha, antes dominada pela Indonésia, em um plebiscito há cerca de um ano, ainda há milícias no Timor Oeste, que pertence à Indonésia, que defendem a anexação de todo o Timor a esse país.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota à imprensa ontem cobrando providências do governo da Indonésia para punir os autores do ataque. O governo brasileiro exorta o governo da Indonésia a tomar as medidas necessárias para punir os responsáveis por tão grave ato e impedir novos e lamentáveis episódios de violência, diz a nota.
De acordo com o Itamaraty, o ataque viola o direito internacional humanitário e a Convenção sobre a Segurança do Pessoal das Nações Unidas e Pessoal Associado.
O Brasil condena esse atentado aos funcionários envolvidos no processo de repatriação de refugiados, afirma o texto, que lamenta a perda de vidas humanas.
Segundo a AP, o sargento da ONU Joseph Cavalo afirmou que uma multidão enfurecida espancou os três funcionários até a morte antes de atear fogo em seus corpos em frente ao escritório da ONU na cidade fronteiriça de Atambua. Pouco depois, todo o prédio foi incendiado. Testemunhas disseram que as forças de segurança indonésia, responsáveis por Timor Oeste, não fizeram nada para prevenir o ataque ao escritório da Acnur e a matança.
Os três mortos foram identificados como Samson Aregahegn, da Etiópia, Carlos Caseras, de Porto Rico e Pero Simundza, da Croácia. As vítimas foram os primeiros trabalhadores civis das Nações Unidas a serem mortos no Timor. Dois soldados morreram em confrontos com milicianos que haviam invadido o Timor Leste nas últimas semanas.
Depois do ataque sangrento, quatro helicópteros das forças de paz da ONU voaram à Atambua e transportaram em segurança 54 pessoas para cidade fronteiriça de Balibo. Segundo o coronel norueguês Brynar Nymo, a operação foi realizada com a autorização do governo indonésio.


