São Paulo - Ao menos oito pessoas foram mortas ontem em um prédio da Organização das Nações Unidas (ONU), em Mazar-i-Sharif, norte do Afeganistão, quando o local foi invadido por manifestantes enfurecidos.
Os afegãos protestavam contra a queima de um exemplar do Corão, livro sagrado dos muçulmanos, pelo pastor evangélico Terry Jones, em 20 de março, nos Estados Unidos.
O porta-voz da província de Balkh, Munir Ahmad Farhad, disse que centenas de manifestantes protestavam pacificamente contra a queima de um Corão, quando, repentinamente, a ação ficou violenta. Parte dos manifestantes invadiu o prédio, abrindo fogo contra os guardas e incendiando o local.
O porta-voz da ONU Kieran Dwyer confirmou o ataque e que há funcionários da missão da organização entre as vítimas, mas não quis dar mais detalhes. Ele disse ainda que o chefe da missão da ONU no país, Staffan de Mistura, foi para o local ontem.
O general Daud Daud, comandante da Polícia Nacional Afegã em várias províncias do Norte, disse que os mortos incluem cinco guardas que trabalhavam na ONU e funcionários, cuja nacionalidade não soube confirmar.
O Ministério de Relações Exteriores do Brasil afirmou que não há brasileiros nesta missão da ONU.
Corão
Jones queimou o exemplar do Corão na noite de 20 de março, em uma igreja de Gainesville, Flórida, ato que havia desistido de executar há alguns meses após as reações no mundo muçulmano.
Ele realizou um ''julgamento'' dentro de sua igreja, no qual o livro sagrado muçulmano foi declarado ''culpado'' de várias acusações, entre elas assassinato. Em seguida a pena foi executada: o exemplar foi queimado.
O livro foi molhado com querosene e colocado em um recipiente de metal no centro do templo da igreja Dove World Outreach Center. O exemplar queimou por dez minutos.
Em setembro de 2010, Jones despertou a atenção mundial por seu plano de queimar exemplares do Corão em sua igreja no aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos.
Após as fortes reações no mundo muçulmano e das críticas de líderes internacionais, incluindo o presidente americano Barack Obama, Jones desistiu da ideia e afirmou que nunca mais voltaria a tentar queimar um Corão.
Emergência
O Conselho de Segurança da ONU decidiu realizar uma reunião de emergência ontem após o ataque. Segundo o vice-porta-voz da ONU Farhan Haq, a reunião do conselho de 15 países -que ocorre a portas fechadas- teria início às 17h (18h de Brasília). De acordo com diplomatas, é esperado que membros do conselho divulguem um comunicado conjunto condenando a ação.

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