Roma- O Papa Bento XVI declarou ontem que não acredita que os últimos ataques terroristas fossem direcionados ao cristianismo, anunciou em uma entrevista em Les Combes, norte da Itália, onde passa férias.
O Sumo Pontífice respondia às perguntas de um reduzido grupo de repórteres depois de uma reunião de padres e diáconos do vale de Aosta, nos Alpes italianos, onde passa seus dias de descanso.
A uma pergunta de um jornalista que se referia aos atentados como ''anticristãos'', o Papa respondeu: ''Não, me parece que há uma intenção muito mais geral, não especificamente contra o cristianismo''.
Por outro lado, Bento XVI se declarou convencido de que no Islã há elementos que podem favorecer a paz e que é necessário encontrar nesta religião elementos para um diálogo. ''Não gostaria de classificar o Islã com palavras gerais, sem dúvida há (nesta religião) elementos que podem favorecer a paz e também outros pontos para discussão: devemos procurar sempre o melhor'', finalizou.
No dia 20 de julho, Bento XVI havia descartado a tese de um ''conflito entre as civilizações'' para explicar os atentados de Londres, que atribuiu a ''pequenos grupos de fanáticos''.
''Se é certo que o terrorismo é irracional e por consequência insensível às ofertas de diálogo, o diálogo entre as três religiões monoteístas deve continuar sendo um elemento fundamental, um grito de alarme, um convite a abandonar o terrorismo'', declarou.
O Papa Joseph Ratzinger decidiu incluir em seu programa das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que acontecerão em Colônia (Alemanha) de 18 a 21 de agosto, uma reunião com representantes muçulmanos e uma visita à sinagoga da cidade, para destacar a importância que concede ao diálogo entre as três religiões monoteístas.
''Estas duas reuniões não estavam previstas no primeiro rascunho de seu programa e foram acrescentadas posteriormente. Ou seja, está claro que o Papa as quis como uma contribuição à luta contra o terrorismo'', declarou no domingo o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls.
Menos de uma semana depois de sua eleição, Bento XVI destacou a vontade da Igreja de ''continuar construindo pontes de amizade'' com as outras religiões e pediu a todas as confissões e tradições religiosas que sejam ''artífices da paz''.

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