Um carro-bomba explodiu na manhã de ontem numa movimentada área residencial de Madri, matando um juiz da Suprema Corte, seu guarda-costa e o motorista no mais devastador ataque atribuído à ETA (Pátria Basca e Liberdade) desde que o grupo separatista pôs fim a um cessar-fogo de 14 meses em dezembro último.
Outras 35 pessoas ficaram feridas no atentado ocorrido na hora do ‘‘rush’’ da manhã, que destruiu carros e estilhaçou janelas de quarteirões inteiros.
O juiz Jose Francisco Querol, 69 anos, trabalhava na seção militar da corte. Ele tinha a patente de general e deveria se aposentar no mês que vem, informou o Conselho de Generais do Judiciário, um órgão fiscalizador.
Os dois outros mortos foram identificados como sendo o motorista Armando Medina Sanchez e Jesus Escudero Garcia, um integrante da força de polícia nacional.
Apesar de nenhum grupo ter assumido a responsabilidade pelo atentado, políticos espanhóis e a mídia acusaram imediatamente a ETA. ‘‘Parece em todos os aspectos um ataque da ETA,’’ afirmou o porta-voz do Ministério do Interior, Fernando Delgado.
‘‘Esta manhã nós fomos novamente invadidos pela dor do terrorismo cego. A ETA causou um terrível ataque em Madri’’, disse o rei Juan Carlos. ‘‘Aos assassinos vai a nossa dura condenação e a certeza de que eles pagarão por seus crimes mais cedo ou mais tarde.’’
O atentado ocorreu às 9h15 locais, enquanto as pessoas se dirigiam ao trabalho e crianças à escola na região de Arturo Soria, nordeste de Madri.
Enquanto o carro do juiz passava por um cruzamento, um outro veículo estacionado no local e carregado de 20 quilos explosivos foi detonado por controle remoto, afirmou a polícia. Querol morava na região. Sua mulher e sua filha ouviram a explosão de casa.
Um ônibus que aguardava para contornar o trevo ficou bastante danificado – sua frente foi tomada pelas chamas e suas janelas, estilhaçadas. O motorista ficou seriamente ferido. Havia poucos passageiros a bordo e ninguém ficou gravemente ferido.
A explosão deixou carros destruídos, estilhaços de vidro espalhados por todos os lados e uma fumaça branca cobrindo o local, um rastro da campanha de 32 anos por uma terra basca independente numa área cobrindo o norte da Espanha e o sudoeste da França. A ETA tem sido responsabilizada por cerca de 800 assassinatos desde 1968, incluindo 16 desde que suspendeu um cessar-fogo de 14 meses em dezembro do ano passado.
O último ataque atribuído ao grupo separatista basco foi em 22 de outubro, quando um agente carcerário foi morto ao explodir uma bomba colocada em seu carro na cidade basca de Vitória.
O número de mortos no ataque de ontem foi o mais alto de qualquer ataque desde o fim da trégua. Em dois atentados – em 22 de fevereiro e 20 de agosto – duas pessoas morreram em carros-bomba.
Não houve reação por parte da ETA depois do ataque de ontem. O grupo normalmente espera semanas até assumir a responsabilidade e frequentemente o faz por meio de comunicados enviados a um jornal basco pró-independência.