Jerusalém, Israel- Sob uma onda de condenação mundial pela ação naval que deixou nove ativistas mortos, o governo israelense também passou a ser alvo de uma bateria de ataques domésticos de grosso calibre. Na imprensa as críticas se multiplicam contra a desastrada interceptação militar da frota de seis navios que tentava romper o bloqueio marítimo imposto por Israel e levar ajuda humanitária à faixa de Gaza.
Dois dias após o cerco à frota, algumas questões ainda intrigam os israelenses. Entre elas, as principais são: Por que Israel enviou um comando de elite, treinado para situações de guerra, para lidar com ativistas? Se havia indícios de sobra de que os tripulantes reagiriam com violência a qualquer abordagem, porque os soldados foram pegos de surpresa? Por que a ação se deu em águas internacionais?
''Uma pequena organização turca imbuída de fanatismo religioso e hostilidade ante Israel recrutou centenas de defensores de paz e justiça e conduziu Israel a uma armadilha'', escreveu o aclamado autor David Grossman.
As cenas de soldados descendo de helicópteros no navio Mari Marmara meio de dezenas de manifestantes, que imediatamente começam a agredi-los com porretes, são exibidas repetidamente nas TVs israelenses. O Exército tenta usá-las como prova de que não havia alternativa senão abrir fogo para evitar linchamentos.
Mas muitos especialistas militares viram nas imagens só uma evidência do despreparo das tropas envolvidas.
''Era para ser uma operação muito simples, em que o Exército tem total controle da comunicação dos navios e capacidade de saber qual seria a reação dos ativistas'', diz o general da reserva Daniel Rothschild.
O premiê Binyamin Netanyahu, que estava no Canadá quando ocorreu o incidente, cancelou o encontro que teria com o presidente dos EUA, Barack Obama, e antecipou sua volta a Israel. Numa reunião extraordinária do gabinete, ele disse que não cederá à pressão para aliviar o bloqueio a Gaza. ''É verdade que há pressão internacional e críticas a essa política, mas o mundo precisa entender que é crucial preservar a segurança de Israel e seu direito de defesa'', disse.

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