São Paulo - O grupo terrorista basco ETA explodiu ontem um carro-bomba num subúrbio de Madri, deixando várias pessoas feridas. Mais de 50 foram atendidas no local pelos serviços médicos porque sofriam crise nervosa ou problemas auditivos. O atentado acontece uma semana depois de o Parlamento espanhol ter aprovado uma resolução que autoriza o governo a negociar com a organização terrorista caso o ETA abandone as armas.
É o segundo ataque do grupo contra Madri em 2005. Em fevereiro, um carro-bomba deixou 42 feridos leves. Pouco menos de 40 minutos antes da explosão, o jornal basco ''Gara'' recebeu uma ligação em nome do ETA avisando a hora e local do atentado. A polícia isolou a área, e a bomba explodiu por volta das 9h30 na Espanha, numa região comercial ao norte da capital.
Segundo o ministro espanhol do Interior, José Antonio Alonso, o furgão foi equipado com entre 18 quilos e 20 quilos de explosivos. O veículo foi estacionado perto de uma das saídas do metrô de Suanzes e próximo a um posto de gasolina.
O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou que ''os terroristas sabem que a única possibilidade de serem ouvidos passa pelo abandono definitivo da violência''.
O Partido Popular, principal partido de oposição e o maior crítico da resolução aprovada pelo Parlamento que autoriza negociações com o ETA, advertiu que ''qualquer outra saída que não seja colocar os terroristas na cadeia é um erro'', numa crítica direta ao governo.
A Justiça espanhola emitiu ontem uma ordem de prisão contra um ex-deputado do partido Batasuna o braço político do ETA, que foi tornado ilegal pelo governo anterior, do ex-premiê José Maria Aznar. Jon Salaberria não compareceu a uma audiência para responder a um processo sobre sua suposta participação na cobrança do chamado ''imposto revolucionário'' comum no País Basco e cujo objetivo é arrecadar fundos para o grupo terrorista.
O último atentado do ETA em Madri ocorreu em 9 de fevereiro deste ano, quando a explosão de um carro-bomba próximo ao centro de convenções Ifema, onde o rei espanhol Juan Carlos e o presidente mexicano, Vicente Fox, inaugurariam algumas horas depois uma exposição internacional de arte, deixou 43 pessoas levemente feridas.

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