Ataque deixa mais de 25 mortos em Bagdá
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo Um ataque suicida com carro-bomba deixou ontem pelo menos 25 mortos e 130 feridos na entrada principal da sede das forças de coalizão liderada pelos Estados Unidos, em Bagdá. Entre os mortos estão dois civis, aparentemente americanos. Esse foi o atentado mais sangrento na capital iraquiana desde os que aconteceram no dia 27 de outubro do ano passado e que tiveram como alvos a sede da Cruz Vermelha e quatro delegacias polícia, deixando um saldo de 42 mortos. Foi também o mais violento ataque desde a prisão de Saddam Hussein, no mês passado.
O carro-bomba era um Toyota branco que continha aproximadamente 500 kg de explosivos, segundo informou o coronel Ralph Baker, porta-voz militar americano. A camionete explodiu por volta das 8 horas (3 horas em Brasília) diante da chamada ''Porta dos Assassinos'', a entrada principal de um antigo palácio de Hussein que atualmente é usado como sede das tropas da coalizão na capital iraquiana.
No momento da explosão, dezenas de veículos de funcionários iraquianos que trabalham para a coalizão formavam uma fila na entrada do palácio para que todos fossem registrados antes do início do expediente. O administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, que mora no palácio mas que no momento está nos Estados Unidos, condenou o atentado. Em um comunicado, ele afirmou que as mortes são ''trágicas e indesculpáveis''.
''O atentado terrorista de hoje é um insulto e mais uma clara indicação das intenções assassinas e cínicas dos terroristas, que tentam minar a liberdade, a democracia e o progresso no Iraque. Eles não terão sucesso'', afirmou Bremer. O atentado foi planejado para acontecer em um horário no qual causaria o maior número de vítimas inocentes, segundo Bremer. ''Mais uma vez iraquianos inocentes foram assassinados pelos terroristas em um ato de violência insensata'', declarou.
O porta-voz do Conselho de Governo Iraquiano, Hamid al Kafai, afirmou que os responsáveis pelo ataque eram ''terroristas'' aliados de Saddam Hussein.
O general Mark Kimmitt, da 101 Divisão Aerotransportada, afirmou acreditar que dois dos mortos eram americanos. ''Estamos esperando a confirmação.'' Kimmitt declarou que autoridades não puderam confirmar a nacionalidade das vítimas por causa da ''natureza do crime''.
As forças americanas prenderam dois jornalistas iranianos no local do ataque suicida, segundo informou a TV estatal do Irã. ''Não tivemos notícias de dois dos nossos colegas, presos por militares americanos quando estavam cobrindo o incidente'', afirmou Hassan Aghamirbaha, um repórter de TV iraniano em Bagdá, que trabalha para a rede estatal Irib. A rede não forneceu o nome dos repórteres presos hoje.


