São Paulo - Pelo menos 58 pessoas morreram e 150 ficaram feridas ontem em um atentado suicida contra uma procissão xiita da Ashura, uma das festas mais importantes desta ala do islamismo, em Cabul, informou o Ministério da Saúde do Afeganistão.
O presidente afegão, Hamid Karzai, falou que a natureza do ataque não tem precedentes no país, ressaltando que foi ''a primeira vez que, em um dia religioso tão importante no Afeganistão, um terrorismo de natureza tão horrível acontece''.
Pouco tempo depois da detonação, as pessoas começaram a correr e outras tentaram se esconder com medo de uma segunda explosão. ''As pessoas fugiam e eu corria no sentido contrário'', contou o fotógrafo da agência de notícias France Presse Massud Hossaini, que correu para o local da explosão, que aconteceu alguns metros atrás dele, enquanto fotografava a procissão.
''Imediatamente vi muitos corpos no chão, muita gente chorava, outras tiravam fotos ou filmavam com seus celulares. As pessoas gritavam ''Morte à Al-Qaeda! Morte ao Talibã'', comentou Hossaini.
Até o início da noite de ontem, o ataque não foi reivindicado, mas os insurgentes talebans sunitas acusam os xiitas de heresia. ''Ainda não está claro quem realizou o ataque. Ninguém assumiu a responsabilidade'', disse o chefe do departamento de investigação criminal de Cabul, Mohammad Zahir.
O Afeganistão tem um histórico de violência e tensão entre os muçulmanos sunitas e a minoria xiita, mas desde a destituição do Taleban do poder não têm ocorrido ataques sectários em larga escala como os que abalam o vizinho Paquistão.
Pouco depois do atentado em Cabul, uma bomba deixada numa bicicleta explodiu perto da principal mesquita da cidade de Mazar-i-Sharif, matando quatro pessoas e ferindo 17.
O festival xiita da Ashura relembra o martírio do neto do profeta Maomé, Hussein, na batalha de Kerbala, no Iraque, no ano de 680. Esse é o maior evento no calendário religioso dos xiitas.

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