Bagdá Três jornalistas morreram e outros três ficaram feridos ontem, depois que forças dos Estados Unidos atacaram o prédio da rede de TV Al Jazeera e o hotel Palestine, onde estão hospedados correspondentes estrangeiros que acompanham a guerra no Iraque. Um cinegrafista da Al Jazeera morreu após a queda de um míssil sobre o escritório da rede de TV na capital iraquiana. Outros dois cinegrafistas morreram no ataque de um tanque dos EUA contra o hotel Palestine, no centro de Bagdá. O ataque deixou outros três jornalistas feridos.
O canal de TV privado espanhol Telecinco anunciou hoje que o cinegrafista José Couso, 37, morreu no ataque contra o hotel, após ser atingido na perna direita e na mandíbula. A agência de notícias Reuters afirmou, em um comunicado divulgado em Londres, que o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, 35, também morreu na explosão.
De acordo com o comunicado, um repórter, um fotógrafo e um técnico de televisão da Reuters ficaram feridos e foram levados ao hospital. Ainda não está claro que tipo de ferimentos eles tiveram.
Um general norte-americano disse ontem que um tanque dos EUA disparou contra o hotel Palestine.
Além dos três cinegrafistas mortos ontem, ao menos outros oito jornalistas morreram durante a cobertura da guerra no Iraque, que começou no dia 19 de março.
Segunda-feira, os jornalistas Julio A. Parrado, do jornal espanhol ''El Mundo', e Christian Liebig, da revista alemã ''Focus', morreram em um ataque de tropas iraquianas a um centro de comunicações dos Estados Unidos na periferia sul de Bagdá.
Al Jazeera á A rede de TV Al Jazeera, do Qatar, anunciou ontem a morte de um de seus correspondentes em Bagdá. O cinegrafista Tarek Ayub tinha ficado gravemente ferido após a queda de um míssil sobre o escritório da rede de TV na capital iraquiana. O escritório do canal fica em um prédio perto do hotel Mansour, não muito distante do Ministério da Informação, no centro da cidade. O correspondente da emissora em Bagdá Majid Abdel Hadi observou que os escritórios da Al Jazeera ficam numa área residencial da capital.
O canal estatal de televisão e a emissora de rádio estatal do Iraque saíram do ar ontem pela manhã.
Responsabilidade O Departamento de Defesa dos Estados Unidos disse hoje que a morte de dois jornalistas em consequência dos disparo de um tanque americano contra um hotel em Bagdá é ''trágica', mas atribuiu a culpa das mortes ao regime iraquiano por colocar civis em risco. ''A perda de vidas civis é trágica'', afirmou Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono. ''Tomamos todas as medidas para evitar a perda de vidas civis''. ''Nós não temos os jornalistas como alvo. Mas, como temos visto diversas vezes, o regime iraquiano põe civis em risco. Bagdá é um lugar perigoso'', declarou Whitman.
Balanço As mortes ontem de tres jornalistas, em Bagdá, elevam para 11 o número de jornalistas mortos desde o início da guerra.

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