Vários astrônomos americanos anunciaram ontem em San Francisco (Califórnia) ter descoberto pela primeira vez em nossa galáxia, e a ‘‘apenas’’ 44 anos-luz, um ‘‘sistema solar’’ idêntico ao nosso composto por três planetas gigantes. Desde 1995, os astrônomos detectaram vinte planetas em órbita ao redor de estrelas iguais ao nosso Sol. Mas até hoje não tinham conseguido vislumbrar nenhum sistema que agrupasse vários planetas.
Nosso sistema solar está agora, graças a esta descoberta, um pouco menos só em meio aos 200 bilhões de estrelas da galáxia. ‘‘Sugere que a Via Láctea está repleta de sistemas solares’’, arriscou uma das astrônomas, Debre Fischer, da Universidade de San Francisco.
O primeiro ‘‘primo’’ conhecido do conjunto que formam nossos nove planetas se constituiu em torno da Upsilon Andromedae, uma estrela de 3 bilhões de anos. Seu primeiro ‘‘acompanhante’’ planetário foi detectado em 1996 por dois reputados ‘‘caça-planetas’’, Geoffrey Marcy e Paul Butler. Os dois astrônomos suspeitavam há algum tempo que havia outro planeta. Mas precisaram de mais três anos de observações desde o telescópio Lick de San José (Califórnia). No entanto, o enigma dos tremores da Upsilon Andromedae, que permite deduzir a presença de outros planetas em sua órbita, não estava resolvido. ‘‘Chegamos então à conclusão de que o excesso de tremores só podia se explicar com a presença de um terceiro elemento’’, disse Fischer.
O primeiro planeta possui uma massa equivalente a três quartos de Júpiter e dá a volta ao seu sol em 4,6 dias a uma distância de 9 milhões de km (entre a Terra e o Sol há 149,5 milhões de km). O segundo é duas vezes mais pesado do que Júpiter e demora 242 dias para dar a volta a Upsilon a uma distância comparável à de Vênus com o Sol, 108 milhões de km. E o terceiro tem uma massa quatro vezes superior a Júpiter e demora quatro anos para fazer uma órbita completa a 373 milhões de km.
Não é provável que outro planeta parecido ao nosso se unisse nesta expedição, destacaram os pesquisadores. Entretanto, ‘‘nossas observações não descartam a presença de planetas idênticos à Terra porque sua gravidade é muito fraca para ser medida pelos instrumentos atuais’’, frisou Peter Nisenson. Razão a mais para que a Nasa tenha como primeiro objetivo a Upsilon Andromedae, quando, em 2005, lançar um superobservatório destinado a descobrir outros ‘‘pontinhos azul-pálido’’, segundo a expressão usada pelo astrônomo Carl Sagan para designar nosso planeta.

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