O observatório de Apache Point, no cume das montanhas do Novo México, começou a elaborar o mais completo álbum de fotografias do céu jamais realizado, na esperança de resolver os mistérios da formação do Universo.
Pelos critérios astronômicos, o telescópio Sloan é uma miniatura. Com um espelho de apenas 2,5 metros de diâmetro, nada tem a ver com os olhos quatro vezes maiores dos novos colossos instalados em Mauna Kea (Havaí) e no Chile.
Apesar de pequeno, este aparelho é um gigante em relação às ambições dos cientistas. ‘‘Com ele, vamos construir um novo mapa dos céus’’, explica Michael Turner, da Universidade de Chicago (Illinois). ‘‘Não exageramos se dizemos que, nos próximos 50 anos, todos os astrônomos folherearem este álbum uma quantidade incalculável de vezes’’.
Durante cinco anos, o ‘‘Sloan’’ sondará um quarto de nossos céus a uma profundidade de 1,5 bilhão de anos-luz, e registrará absolutamente tudo, da galáxia mais maciça até o asteróide mais insignificante: um catálogo de mais de cem milhões de galáxias, um milhão de quasares e montes de estrelas isoladas...
Para este trabalho, os pais do projeto conceberam um aparelho fotográfico revolucionário. ‘‘É um dos aparelhos mais complexos jamais concebidos para a astronomia’’ - assegura Jim Gunn, da Universidade de Princeton (Nova Jersei) -, feito com os mesmos detectores que os das novas máquinas fotográficas digitais vendidas no comércio’’.
Graças a estes microprocessadores de silício muito sensíveis, o telescópio pode dividir o céu em pequenas zonas. ‘‘O aparelho recorta uma pequena estampa do céu em torno de cada objeto’’, explica Jim Gunn. ‘‘Assim teremos um catálogo numérico com uma descrição completa de cada objeto e sua pequena foto em cinco cores’’.
Mas este ‘‘censo celeste’’ não se limitará a ser um simples mapa do Cosmos. Graças a um par de espectrógrafos, os astrônomos esperam também reconstituir pela primeira vez com precisão uma grande porção de nosso Universo em três dimensões.
‘‘Este trabalho deve fazer avançar enormemente nosso conhecimento do Universo passado, presente e futuro’’, acrescenta Michael Turner. De fato, a teoria mais aceita sugere que a atual arquitetura das galáxias está relacionada com as flutuações que agitaram, na fração de segundo que se seguiu ao Big Bang, as partículas elementais da pequena bola que o Universo era então.
Sua atual estrutura esconderia, dessa forma, não apenas os segredos de seu crescimento, como também informações vitais sobre a quantidade e a natureza da matéria de que é composto.
‘‘De fato, vamos observar a imensidão das regiões mais afastadas do Universo para ver o espaço infinitamente pequeno das partículas que as compunham em sua primeira juventude’’, resume Turner.
Apesar de tocar nas bases da astronomia, este censo do céu deve revolucionar sua forma. ‘‘Esta pesquisa servirá como museu do Universo colocado à disposição em CD’’, estima Jim Gunn. ‘‘Para responder a uma pergunta de astronomia, já não será necessário utilizar um telescópio e sim simplesmente um computador...’’

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