Os astronautas da nave Atlantis, após o sucesso total da saída ao espaço, deveriam na madrugada de hoje abrir as portas de uma estação espacial internacional (ISS) enfim funcional, módulo do gigantesco projeto de laboratório do século 21, que contará com a participação de 16 países.
Os três módulos da ISS em órbita, o americano Unity e os russos Zvezda e Zaria, formam com efeito um conjunto de 48 metros de comprimento, com um volume de espaço habitável de 264 m3, possuindo todos os elementos necessários à vida de uma tripulação, durante longas permanências.
Após abrirem 12 escotilhas, uma após outra, os cinco americanos e os dois russos a bordo da Atlantis terão como missão equipar a nave, isto é, devem principalmente instalar o Zvezda, o módulo de serviço que funcionará como apartamentos para os primeiros ocupantes da estação.
A partir do mês de novembro, a sonda Soyouz conduzirá a primeira tripulação que ficará a bordo: o americano William Shepherd e os russos, Iuri Gidzenko e Serguei Krikaliev. Eles deverão permanecer quatro meses na estação, tornando-se pioneiros de uma nova aventura espacial.
No entanto, os três módulos que abrigarão os astronautas da Atlantis darão apenas uma idéia do que será a ISS, um mecanismo colossal com centenas de peças, quatro vezes mais amplo que a atual estação orbital russa Mir. Terá 108 metros de comprimento e 74 de largura, com um espaço habitável de 1.200 m3.
Com os três elementos em órbita, ‘‘teremos a estrutura e fundações sólidas’’, destacou antes da missão o piloto da Atlantis, Scott Altman. Trata-se principalmente de levantar as paredes, num canteiro de obras evoluindo a mais de 300 km de altitude numa velocidade de 28.000 km/h.
Para reunir os 16 módulos principais deste complexo de mais de 450 toneladas até o ano 2006, segundo as últimas estimativas, os construtores no espaço devem se apressar, depois de terem esperado durante dois anos a colocação em órbita, pelos russos, do elemento Zvezda, finalmente realizada em julho passado.
Antes do final deste ano, os americanos prevêem outros lançamentos, que permitirão levar ao local duas partes da longa estrutura tubular à qual deverão ser amarrados vários módulos. Os russos lançarão por sua vez duas cápsulas de abastecimento e uma sonda Soyouz tripulada - Shepherd, Gidzenko e Krikaliev.
No ano que vem, a Nasa enviará seis naves em direção à ISS, acrescentando praticamente a cada missão um módulo ou um elemento. Em janeiro chegará o primeiro laboratório da ISS, o módulo americano Destiny. Em fevereiro, depois em abril, serão acrescentados os pequenos módulos italianos, Donatello e Rafaello, contendo compartimentos preparados para receber os experimentos.
Para 2001, a Rússia comprometeu-se a lançar oito sondas em direção à ISS, duas com cosmonautas e seis de abastecimento, afirmou recentemente o diretor da agência espacial et aeronáutica russa, Iuri Koptev.
A construção da ISS precisará no total de cerca de quarenta lançamentos de foguetes e naves espaciais; os cosmonautas que participarão da missão deverão efetuar mais de 160 saídas, perfazendo mais de 1.700 horas de trabalho no espaço.

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