Assunção tenta impedir militância de Lino Oviedo e quer extradição
Ex-general desenvolve intensa atividade política numa confortável chácara em Buenos Aires
France PresseConspiradorO ex-general Oviedo recebe até 150 pessoas nos finais de semana na capital argentinaO juiz paraguaio Jorge Bogarín solicitou a extradição do ex-general golpista Lino César Oviedo para que seja trasladado à uma prisão em Assunção. Na capital paraguaia, Oviedo seria julgado como mentor intelectual do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, ocorrido no dia 23 de março.
O pedido de extradição coincidiu com um protesto feito pelo chanceler paraguaio Miguel Saguier ao chanceler argentino, Guido Di Tella, para que o governo argentino impeça as atarefadas atividades políticas de Oviedo em sua residência.
Por esse motivo, o secretário de Segurança, Miguel Ángel Toma, avisou Oviedo que na categoria de asilado, não poderá manter reuniões políticas. No entanto, o ministro do Interior, Carlos Corach, informou que até ontem não recebeu o pedido de extradição.
O governo especula em confinar Oviedo longe de Buenos Aires, possivelmente na província de Neuquén, na Patagônia. O ex-general está proibido de viajar às províncias argentinas na fronteira com o Paraguai.
Oviedo tornou-se famoso em 1989, quando segurando uma granada em cada mão, prendeu o então presidente Alfredo Stroessner. Após isso, Oviedo passou a adquirir um crescente poder, até que em 1996, tentou um golpe de Estado contra o presidente Juan Carlos Wasmosy.
Oviedo candidatou-se a presidente, foi detido, mas conseguiu que seu aliado Raúl Cubas Grau fosse eleito em seu lugar. No entanto, para o cargo de vice-presidente foi eleito Luis María Argaña, seu inimigo político. Poucos meses depois, Argaña foi assassinado. O país entrou em uma grave crise, Cubas Grau renunciou, e Oviedo fugiu do país, pedindo asilo na Argentina.
Analistas consideram que a escolha da Argentina teve dois motivos: servir como base próxima ao Paraguai e sua velha amizade com o presidente Carlos Menem.
O juiz Bogarín, que apoia seu pedido em um tratado bilateral de extradição de 1889 e em uma convenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), considera que a Argentina está obrigada a tomar medidas para prevenir e punir atos terroristas e atentados contra a vida. O juiz já conseguiu o embargo de bens do ex-general por US$ 300 milhões.
Confortavelmente instalado em uma elegante chácara na cidade de Moreno, na grande Buenos Aires, o ex-golpista conspira para manter seu poder no Paraguai, planejando apresentar algum aliado político nas eleições para a vice-presidência do país, no dia 5 de novembro, de forma a condicionar o governo do presidente Luis González Macchi. Outro projeto é o de retornar daqui a alguns anos ao Paraguai. Segundo seus amigos, Oviedo sonha em retornar ao país da mesma forma que o general argentino Juan Domingo Perón voltou na glória, após anos de exílio.
Oviedo recebe de cinco a seis pessoas diariamente. Suas visitas consistem em dirigentes políticos paraguaios. Nos fins de semana, o número aumenta para 150 pessoas, incluindo diversos integrantes da imensa comunidade paraguaia na Argentina.
StroessnerUm grupo humanitário pediu ontem ao governo norte-americano que retire o segredo de documentos do período de 1950-80 a fim de processar o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, hoje exilado no Brasil.
Martín Almada, presidente do Tribunal Ético contra a Impunidade, afirmou ontem durante uma entrevista coletiva que o governo do presidente Bill Clinton deve desclassificar as informações levantadas pela embaixada norte-americana durante a ditadura. Segundo ele, será a única forma de conhecer totalmente as violações e crimes realizados por Stroessner.
Stroessner, de 85 anos, vive exilado no Brasil desde fevereiro de 1989. Entretanto, pesa sobre ele uma ordem de captura internacional assinada em 1991 à raiz de indícios de responsabilidade na morte por tortura de dois irmãos. Os irmãos Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba foram detidos em 1976 pelo então temido departamento de investigações da polícia política de Stroessner, acusados de serem membros da guerrilha Organização Político-Militar, que à época buscava a queda da ditadura.





