O Paraguai continuava, ontem, sacudido por conflitos generalizados, à espera do julgamento político aberto contra o presidente Raúl Cubas Grau. As incertezas sobre a reação de Cubas a uma possível decisão parlamentar de destituí-lo, as queixas dos empresários contra a queda da atividade econômica, as greves e os confrontos entre facções políticas adversárias são uma constante na capital, Assunção.
Nesse contexto, o presidente Raúl Cubas Grau deve fazer, hoje, sua defesa contra as acusações de ter violado a Constituição. A denúncia, oficializada na quinta-feira pela Câmara de Deputados, foi formulada por sua decisão de comutar a pena de dez anos de seu padrinho político, o ex-general Lino Oviedo, permitindo sua liberdade apenas três dias depois da posse, em agosto.
Em fevereiro, a Corte Suprema de Justiça declarou nulo o decreto de Cubas que libertou Oviedo e ordenou a Cubas que o devolvesse à prisão, mas Cubas respondeu publicamente que ‘‘o Presidente da República não obedece ordens de outros poderes do Estado’’.
Essa atitude foi a gota d’água que deflagrou o julgamento político, segundo o presidente do Senado, Luis Angel Macchi. O julgamento pode provocar a destituição na semana que vem ou, no máximo, poucos dias depois da Páscoa.
Camponeses que na terça-feira marcharam na capital para pedir o perdão de suas dívidas decidiram se concentrar na Plaza de Armas, em frente ao Congresso, junto com jovens de setores independentes, em apoio ao julgamento político de Raúl Cubas.
A mobilização foi ampliada pela convocação dos partidos políticos representados no Congresso, diante das incertezas geradas pela atitude de tomar posição contrária ao presidente em julgamento e seu aliado, o ex-general Oviedo, que segundo Cubas está atualmente detido nas dependências da Guarda Presidencial.
A vigília, marcada todas as noites por provocações entre oviedistas e antioviedistas, virou uma batalha campal na quinta-feira. Há informações sobre 20 a 30 feridos, depois da pancadaria que só acabou com a ação da polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos d’água para acalmar os ânimos.
Investigação Todas as pistas dadas por testemunhas do assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, ao juiz que investiga o caso indicam que o atentado foi cometido por militares. Uma das testemunhas disse ao juiz que o motorista do carro usado no atentado, um Fiat Tempra, é Mery Ríos, morador da periferia de Assunção. O Fiat, que teria sido roubado no Brasil, foi encontrado poucas horas depois do assassinato a curta distância do local do crime.
Segundo o jornal ‘‘Noticias’’ de Assunção, os autores do crime ‘‘foram identificados como os sargentos Escobar, Villalba e Espinoza que há alguns anos estiveram em Israel fazendo cursos sobre métodos contra o terrorismo’’.
A polícia paraguaia disse que identificou a pessoa que vendeu o Fiat usado no atentado. Trata-se de Javier Ortigoza Portillo, um comerciante de Ciudad del Este.

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