Associação repudia detenção de Miranda
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Folhapress 
São Paulo - A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA na sigla em inglês) manifestou, por meio de carta enviada ao primeiro-ministro britânico David Cameron, "inquietação" pelas ações do governo britânico que consideraram como um "ato de intimidação que poderia ter um efeito apavorante na liberdade de imprensa no Reino Unido e fora".
Na carta, a organização se refere à controversa detenção no domingo retrasado do brasileiro David Miranda, namorado do jornalista Glenn Greenwald do Guardian que divulgou as revelações de Edward Snowden.
Miranda foi retido durante nove horas em virtude da legislação antiterrorista britânica no aeroporto de Heathrow, quando fazia escala entre Berlim e o Rio de Janeiro. A detenção gerou um impasse diplomático com o Brasil e várias queixas de políticos e jornalistas.
Por sua vez, a polícia britânica defendeu o tempo todo a legalidade da detenção de Miranda, da qual o Executivo de Cameron sabia antecipadamente.
A WAN-IFRA descreveu a detenção como "escandalosa e profundamente alarmante" e afirmou que "o aparente mau uso dessa ferramenta particular da legislação antiterrorista coloca os jornalistas e os que ajudam no trabalho jornalístico, sob a suspeita de ser terroristas ou estarem envolvidos em atividades terroristas".
A WAN-IFRA advertiu ao governo de David Cameron que sua atuação no caso Snowden poderia "ameaçar a liberdade de imprensa" e pediu que reafirme seu compromisso com uma imprensa independente.
Assinada pelo presidente da associação, Tomas Brunegard, e pelo presidente do Fórum Mundial de Editores, Erik Bjerager, a carta é uma reação à resposta "profundamente lamentável" dada por Londres diante das revelações de Snowden, asilado temporariamente na Rússia após expor a espionagem global do governo americano.


