O mundo adotou ontem, em Kyoto, o primeiro tratado já firmado para tentar alterar a influência do homem sobre o clima do planeta. O fato de os 159 países que participaram na Conferência Mundial sobre a Mudança Climática terem conseguido um acordo tão rápido é sem precedentes, mas seus efeitos somente serão sentidos dentro de uma ou duas gerações. Passados menos de dez anos depois do primeiro alerta dado pelos cientistas sobre o risco de uma mudança climática, a comunidade internacional adotou ontem uma série de medidas visando limitar as emanações de gases que acentuam o efeito estufa, entre elas a mais onipresente, a do gás carbônico (CO2, dióxido de carbono).
Histórico Apesar desta influência humana ter sido descoberta e provada pelo sueco Svante Arrharenius, em 1896, demorou quase um século para que o fato causasse real preocupação.
Em 1988, depois de um longo período de seca nos Estados Unidos, um dos diretores da NASA, Jim Hansen, evocou o primeiro modelo de predição climática, que apontava a importância determinante da excessiva concentração de CO2 na atmosfera como o grande responsável pelo aquecimento da Terra.
Naquele ano, a ONU criou o Grupo Intergovernamental de Avaliação do Clima (GIAC), no qual quatro mil especialistas do mundo inteiro foram designados para estabelecer um diagnóstico da atmosfera, com o objetivo de verificar hipóteses ainda pouco fundadas.
Dois anos depois, em 1990, um primeiro informe apresentava os primeiros e preocupantes dados. Em junho de 1992, a Cúpula da Terra (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro, lançou uma convenção mundial sobre as mudanças climáticas que propunha uma ‘‘estratégia mundial’’ para reduzir a emissão na atmosfera de gases classificados como responsáveis pelo efeito estufa.
Em 1997, na Segunda Cúpula da Terra, em Nova York o presidente Bill Clinton afirmou que a luta contra o aquecimento deveria ser uma prioridade.
Agora, 159 países acabam de adotar, em Kyoto, um protocolo de Convenção-marco sobre as mudanças climáticos, que inclui limitar as emissões de seis gases ligados ao efeito estufa.O Protocolo à Convenção sobre o Clima impõe reduções ‘‘juridicamente obrigatórias’’ de uma média de 5,2% das emissões de gases com efeito estufa aos países industrializados.
Clinton satisfeito O presidente norte-americano Bill Clinton afirmou estar ‘‘muito satisfeito’’ com o acordo assinado na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. ‘‘Os Estados Unidos cumpriram a missão a que se haviam proposto’’, escreveu Clinton em uma declaração publicada pela Casa Branca em Nova York, onde se encontra. Ele acrescentou que o acordo é sólido no plano ambiental e economicamente saudável, tal como desejavam os Estados Unidos.
As entidades ambientalistas não ficaram satisfeitas com o resultado do encontro. Elas acusaram as nações industrializadas de não se esforçar para prevenir o perigo iminente do aquecimento do planeta e o aumento do nível do mar.

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