O presidente do Burundi Pierre Buyoya, e 14 das 19 delegações burundinesas, das quais cinco tutsis com reservas, assinaram ontem um acordo de paz em Arusha na presença do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e do presidente americano Bill Clinton.
Entre as delegações que assinaram o texto, alegando numerosas reservas, estão os dois principais partidos da minoria tutsi, o Uprona e o Parena. Cinco delegações que representavam outros partidos tutsis negaram-se a assinar o texto.
Os partidos pró-tutsis exigem negociações suplementares sobre a reforma eleitoral e a reforma do exército. Também querem que o acordo reconheça que em 1993 houve um genocídio contra os tutsis, depois que os militares tutsis assassinaram o presidente hutu Melchior Ndadaye, ponto de partida da guerra civil.
Todos os partidos hutus que participavam há dois anos das negociações de Arusha para pôr fim a guerra civil que em sete anos deixou mais de 200 mil vítimas, ratificaram o acordo.
Ao contrário, os dois principais movimentos armados da rebelição hutu não estavam presentes.
Ao comentar a assinatura do acordo de paz, o presidente ugandense Yoweri Musenveni, declarou: ‘‘nunca mais genocídio, nunca mais monopólio do poder. Isto significa a democracia e a segurança para todos’’.
Pouco antes, na abertura da cerimônia, Mandela criticou a atitude dos partidos tutsis. Durante vários anos ele tinha tentado convencer todas as delegações burundinesas de firmar o acordo. Mandela também chamou a assinatura do acordo de ‘‘ocasião histórica’’.

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