Inconformado com o rumo das investigações contra o presidente americano, Bill Clinton, o assessor para assuntos éticos da equipe de Kenneth Starr, Sam Dash, entregou ontem sua carta de demissão, acusando o promotor especial de ter abusado de suas funções ao prestar depoimento na Câmara de Representantes. Starr abriu a fase de audiências do processo de impeachment contra Clinton na quinta-feira, depondo por mais de dez horas.
‘‘Contrariando meus fortes argumentos, você violou as obrigações da lei que regulamenta a atuação da promotoria independente e imiscuiu-se no poder de destituição, que a Constituição outorga somente ao Congresso’’, justificou Dash em sua carta. ‘‘Eu peço demissão por uma razão fundamental: apesar das minhas advertências, você decidiu apartar-se de suas prerrogativas usuais ao aceitar o convite da Comissão Judiciária da Câmara para depor e atuar como um agressivo advogado para tentar provar que o presidente cometeu delitos passíveis de impeachment’’, acrescentou.
‘‘Como promotor independente, porém, sua única obrigação era a de oferecer ao Congresso evidências substanciais e críveis que pudessem servir de base para uma destituição,‘‘afirmou. Professor da Universidade Georgetown, Dash é considerado o ‘‘pai’’ da lei que estabeleceu a figura do promotor independente para investigar suspeitas sobre o presidente da república.

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