Assembléia da ONU critica ação dos EUA
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
France Presse 
Nova York O presidente americano George W. Bush pediu ontem na tribuna das Nações Unidas uma ajuda internacional maior para o Iraque, sem renunciar ao papel preponderante dos Estados Unidos no país, enquanto outros Chefes de Estado, incluindo o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticaram a decisão americana de realizar uma guerra ''preventiva'' e insistiram na necessidade de a ONU ter um papel central. Mais de seis meses depois da queda do regime de Saddam Hussein, a situação no Iraque dominou a abertura dos debates da 58 Assembléia Geral das Nações Unidas, durante a qual discursarão, nos próximos dias, mais de 80 Chefes de Estado ou de Governo.
Bush justificou a decisão de invadir o Iraque sem uma autorização explícita da ONU: ''Hoje em dia o Iraque é livre graças ao fato que uma coalizão de países atuou para defender a paz e a credibilidade das Nações Unidas'', disse.
Porém, a ação americana foi criticada pelo secretário-geral da ONU, Koffi Annan, pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente da França, Jacques Chirac.
''O argumento dos Estados, que acreditam ter o direito e a obrigação de usar a força a título preventivo, representa um desafio fundamental aos princípios nos quais repousaram, sem dúvida de maneira imperfeita, a paz e a estabilidade mundiais nos últimos 25 anos'', declarou Annan. Porém, o secretário-geral afirmou que denunciar o unilateralismo não basta, ''se não se responde claramente às preocupações que fazem com que alguns se sintam vulneráveis, o que os leva a adotar ações unilaterais''.
Em seu discurso, muito aplaudido, Annan também destacou que até o momento, e exceto os casos de legítima defesa, ''as Nações Unidas são invocadas para dar legitimidade ao uso da força''.
O mesmo argumento foi defendido por Lula, que fez um enérgico pedido de reforço do multilateralismo.
Já Chirac, que falou depois de Bush, ignorou o pedido do presidente americano para que todos deixem as divergências de lado e repetiu suas críticas ao fato de a guerra contra o Iraque ter acontecido sem um aval explícito da ONU.
''Num mundo aberto, ninguém pode se isolar, ninguém pode atuar sozinho em nome de todos e ninguém pode aceitar a anarquia de uma sociedade sem regras. Não há outra alternativa senão as Nações Unidas'', disse o presidente francês, que defendeu o fim da ocupação do Iraque dentro de ''um calendário realista'' supervisionado pela ONU.
Bush pediu aos membros das Nações Unidas que superem as divisões, ao insistir que o fim do regime de Saddam Hussein contribuiu para deixar o mundo mais seguro. Ele reconheceu que os iraquianos devem recuperar sua soberania o mais rápido possível, mas destacou que o processo não pode ser apressado.
O presidente dos Estados Unidos também pediu a Israel a criação das condições para a constituição de um Estado Palestino e exigiu que os países árabes parem de financiar os grupos terroristas.


