Assembléia da ONU condena Israel
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Alfons Luna<br>France Presse 
Nova York A Assembléia Geral da ONU aprovou ontem, por ampla maioria, uma resolução proposta pelos países árabes exigindo que Israel deixe de ameaçar política e fisicamente o líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. A resolução foi aprovada por 133 votos a favor, 4 contra Estados Unidos, Israel, Micronésia e Ilhas Marshall e 15 abstenções, neste fórum integrado pelos 191 membros da ONU.
O texto pede que ''Israel, potência ocupante, desista de qualquer medida de deportação e deixe de ameaçar a integridade do presidente eleito da Autoridade Palestina''. Expressa seu apoio ao ''Road Map'', obra do Quarteto diplomático ONU, EUA, Rússia e União Européia , que pede às duas partes que avancem com medidas recíprocas que levem à criação de um Estado palestino em 2005.
A resolução foi rejeitada esta semana pelo Conselho de Segurança com o veto dos Estados Unidos e levada à Assembléia Geral pelo Sudão, com a representação dos 22 países árabes da ONU e com o apoio dos Não-Alinhados.
Na Assembléia Geral, cujo peso é menor do que o Conselho de Segurança, não existe o direito a veto.
Após negociações de última hora entre a União Européia, presidida pela Itália, e os promotores do texto, encabeçados pelo Sudão, foram incluídas várias emendas no preâmbulo condenando os atentados suicidas e instando a Autoridade Palestina a eliminá-los.
As autoridades israelenses evocaram abertamente nas últimas semanas a possibilidade de deportar e inclusive matar Arafat, a quem consideram responsável pelos atentados dos grupos palestinos radicais.
Durante a sessão da assembléia, o embaixador americano, John Negroponte, reiterou que seu país ''não apóia nem a expulsão e nem eliminação'' de Yasser Arafat, possibilidades evocadas abertamente pelas autoridades israelenses. Criticou novamente a resolução porque não condena o Hamas, a Jihad Islâmica e a Brigada de Mártires de Al Aqsa.
''É particularmente desanimador que a norma de condenar somente Israel tenha voltado às Nações Unidas, dias antes do debate geral'' da próxima terça-feira, disse Negroponte.
Reações O embaixador palestino na ONU, Nasser al-Kidwa, perguntou ''se a comunidade internacional encontrará a vontade coletiva para fazer respeitar (a Israel) a lei internacional''.
O embaixador israelense Dan Gillerman, referindo-se ao apoio ao ''regime corrupto'' de Yasser Arafat, comentou: ''Arafat é um obstáculo para a paz. Representa o passado obscuro dos palestinos mais do que o futuro que poderiam ter''.
Israel considerou que a resolução aprovada pela Assembléia Geral da ONU ''nada significa'', como anunciou à AFP o porta-voz do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Raanan Gisis, uma vez que não tem qualquer consequência efetiva.
A Autoridade Palestina se felicitou com a resolução, considerando que representum uma ''verdadeira bofetada'' para Israel e os Estados Unidos.


