Assembléia convoca sessão para definir representantes da Flórida
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Numa decisão que, se levada adiante, poderá transformar numa crise constitucional a guerra político-judicial pela Casa Branca que o governador do Texas, George W. Bush, e o vice-presidente, Albert Gore, travam há três semanas, uma comissão da Assembléia Legislativa da Flórida, controlada pelos republicanos, aprovou ontem a convocação o quanto antes de uma sessão especial para designar os 25 representantes do Estado no Colégio Eleitoral que escolherá o sucessor do presidente Bill Clinton no próximo dia 18.
Antes mesmo de o comitê anunciar sua decisão, os advogados de Gore já tinham denunciado sua ação. Em documentos enviados à Suprema Corte dos Estados Unidos, que hoje ouvirá os argumentos dos dois lados numa ação iniciada por Bush para reverter veredicto do tribunal supremo da Flórida desautorizando o prazo inicial estabelecido pelo executivo do Estado para a certificação dos resultados da eleição, os representantes do candidato democrata afirmaram que não é evidente que o legislativo estadual tenha o direito de apontar os 25 grandes eleitores antes da resolução do processo de contestação judicial da eleição.
Gore iniciou esse processo na segunda-feira passada, um dia depois de a secretária de Estado da Flórida, Katherine Harris, proclamar Bush como vencedor na eleição no Estado por uma diferença de 537 votos em cerca de 6 milhões.
Com a população do país dividida ao meio sobre a validade e correção da eleição na Flórida e os democratas no Congresso federal solidamente atrás de Gore, a manobra do republicanos na Assembléia Legislativa da Flórida foi interpretada como um sinal da viabilidade de uma reversão judicial do resultado da eleição em favor do vice-presidente.
O irmão do candidato republicano, Jeb Bush, que é governador da Flórida e até agora tinha ficado de fora da controvérsia, apoiou publicamente a ação da liderança de seu partido da Assembléia.
Os legisladores republicanos na Flórida não marcaram uma data para a sessão especial. Se eles a realizarem e escolherem a lista de eleitores de Bush, como inevitavelmente farão, caberá a Jeb Bush sancionar a decisão. Isso o colocaria na situação de sacramentar a eleição de seu irmão para a presidência.
Para os democratas, se isso acontecer antes de a Justiça se pronunciar sobre a ação de contestação judicial da eleição por Gore, configuraria um ato de usurpação política de Jeb Bush em benefício de seu irmão e ampliaria o problema de legitimidade que o próximo presidente dos Estados Unidos provavelmente enfrentará, seja ele quem for.
Excluindo a Flórida, Gore venceu a eleição popular nacional e recebeu 269 votos no colégio eleitoral, ou um menos do que a maioria de 270 necessária para ganhar a Casa Branca. Bush ficou com 246 e será eleito com 271 votos se os 25 da Flórida lhe forem definitivamente atribuídos. Em tese, as assembléias legislativas dos 50 estados têm até o dia 12 de dezembro para escolher seus representantes no colégio eleitoral. Mas não há nada que as obrigue a fazê-lo nesta data ou as impeça de esperar mais alguns dias, se o resultado da eleição estiver em dúvida, em função de uma ação judicial.
Milhares de votos do condado de Palm Beach chegaram ontem a Tallahassee, onde a Justiça examina um recurso do candidato democrata Al Gore contra o resultado oficial da eleição presidencial neste Estado americano.
O juiz Sanders Sauls tinha ordenado a transferência, sob estrita escolta policial, de 1,1 milhão de cédulas de votos de Miami-Dade e Palm Beach. Os 462 mil votos de Palm Beach chegaram escoltados por viaturas de polícia.
Os 654 mil votos emitidos em Miami-Dade, maior condado da Flórida, na eleição presidencial também foram levados à capital. O traslado foi feito desde a sede da junta eleitoral, em pleno centro de Miami, disse uma assistente da porta-voz, Gisela Salas.


