Assassinos exibem sinais comuns
Chicago, EUA- Não se sabe muito sobre o autor do maior massacre já feito em uma instituição de ensino dos Estados Unidos, mas os responsáveis por crimes desse tipo são, normalmente, seres solitários e incapazes de enfrentar uma perda ou um fracasso, afirmam especialistas.
O perfil mais comum destes assassinos é o de um indivíduo ''sozinho, recluso e anti-social'', disse Alan Langlieb, diretor de psiquiatria do trabalho da universidade Johns Hopkins. Quando se pergunta a Langlieb o que pode fazer com que alguém cometa um crime desta natureza, ele diz simplesmente: ''Não há resposta''.
''Não se sabe ao certo o que é o que se passa na mente dessas pessoas'', diz o especialista, afirmando que a conduta humana é demasiadamente complexa para dar uma resposta simples. ''Às vezes é premeditado, mas alguém pode acordar um dia de manhã e dizer: 'Vou causar estragos na sociedade''', acrescentou.
São poucos os que são tão indiferentes à vida humana para cometer atos de violência tão terríveis. A maioria dos que pensam a respeito nunca seriam capaz de realizar o ato em si, afirma Langlieb.
Às vezes um fato aparentemente sem importância pode fazer despertar o mecanismo fatal em alguém socialmente isolado que quer enviar uma mensagem a uma sociedade contra a qual sente raiva. ''Um mau dia - com boas armas e uma boa convergência de acontecimentos pode acabar em uma catástrofe'', advertiu.
O serviço secreto, que se ocupa em especial da segurança do presidente de Estados Unidos, estudou 37 casos de violência em instituições de ensino americanas entre 1974 e junho de 2000. O estudo concluiu que ''não há um perfil certo'' dos estudantes que agem assim.
Entretanto, a pesquisa mostra que apenas um pequeno número destes assassinos estava em situação de fracasso escolar e quase dois terços nunca tiveram problemas na escola, nem mostraram qualquer mudança em seu rendimento ou em sua rede de amigos.
Cerca de 40% destes assassinos eram considerados normais e se confundiam com os demais alunos. Um terço era solitário e um quarto pertencia a algum grupo problemático.
Um terço dos atacantes se sentia perseguido e, sobretudo, se mostrava incapaz de enfrentar ''uma perda de algo importante ou um fracasso pessoal'', diz o informe; 98% devem ter passado por uma situação deste tipo antes de promover o ataque.
Uma investigação similar do FBI mostra que os assassinos em série exibem alguns sinais comuns, como obsessão pela violência, dificuldades em dominar a raiva ou em enfrentar certas situações, como depressão ou falta de tolerância e confiança nos companheiros.(F.P.)





