O assassinato do vereador espanhol Miguel Angel Blanco Garrido, sequestrado pela organização separatista basca ETA, despertou horror e indignação em todo o mundo. O papa João Paulo II, que passa férias de verão no Vale de Aosta, denunciou o ‘‘bárbaro assassinato’’ de Blanco. ‘‘A morte de um inocente não pode jamais ser justificada.’
O governo da França divulgou ontem um comunicado em que condena nos termos mais enérgicos o assassinato do vereador. ‘‘Trata-se de um ato covarde e desumano, que só pode despertar horror e condenação’’, indica o comunicado. O governo francês também promete continuar a ação conjunta com a Espanha na luta contra o terrorismo. Vários líderes da ETA vem buscando refúgio no sul da França.
A embaixada da França em Madri anunciou ontem o cancelamento das comemorações da data nacional francesa, hoje, por causa da dor nacional na Espanha causada pelo assassinato de Blanco.
O presidente da Itália, Oscar Luigi Scalfaro, e o primeiro-ministro Lamberto Dini condenaram duramente a ação da ETA. ‘‘Toda a nação italiana está junto à nação espanhola, com um sentimento de dor e indignação, diante deste ato de barbárie’’, declarou Scalfaro. O jornal italiano Corriere della Sera estampou a manchete: ‘‘ETA assassina e a Espanha vai para as ruas’’.
A mobilização popular anti-ETA prosseguia ontem na Espanha, marcada pela revolta, após o anúncio da morte de Garrido, ontem de madrugada. Aos gritos de ‘‘assassinos’’, milhares de espanhóis se reuniram em todas as cidades da Espanha para condenar a ETA, que cumpriu sua ameaça de matar Miguel Angel Blanco Garrido, de 29 anos, sequestrado quinta-feira, se o governo não respondesse à sua exigência de reunir no País Basco seus membros detidos em prisões espanholas.
A revolta dos espanhóis se voltou para a coalizão independentista Herri Batasuna (HB), braço político da ETA. Apesar dos apelos a favor da calma feitos pelas autoridades, um bar do HB em Ermua foi incendiado e as dependências do partido separatista em Pamplona, capital da região vizinha de Navarra, tiveram de ser protegidas pela polícia. Dezoito pessoas receberam atendimento médico depois de choques em Pamplona entre militantes separatistas e manifestantes anti-ETA, a maioria dos quais participava nas festas de San Fermín, cujos principais eventos foram suspensos.
Em Bilbao (Vizcaya) e San Sebastián (Guipúzcoa), simpatizantes do HB que tentaram provocar os manifestantes anti-ETA tiveram de ser protegidos pela polícia. Em várias cidades, milhares de espanhóis passaram a noite diante das prefeituras esperando que, por um milagre, Miguel Angel Blanco saísse do coma cerebral profundo no qual foi encontrado.
Politicamente, a mobilização continuou com a reunião dos partidos bascos - com exceção do HB - que integram o Pacto de Ajuria Enea, criado há alguns anos para combater o terrorismo.
Na abertura da reunião, os líderes dos seis partidos bascos que integram o Pacto manifestaram sua intenção de ‘‘enviar uma mensagem de união e firmeza frente ao terrorismo’’ e indicaram que nos próximos dias acontecerão novos apelos e manifestações.
Os dirigentes dos seis partidos já se haviam reunido sexta-feira para denunciar a ‘‘vingança mafiosa’’ da ETA após a libertação de um dos reféns da organização, em 1º de julho, e a detenção de seus seis sequestradores.
Em Ermua, onde Miguel Angel Blanco Garrido era conselheiro, três dias de ‘‘luto oficial’’ foram decretados pela prefeitura, que pediu a todos os espanhóis para que coloquem um pano preto nas janelas em sinal de luto.
Ao saudar a mobilização sem precedentes da população contra a ETA, a imprensa ressaltou por sua vez a responsabilidade dos ‘‘cúmplices intelectuais’’ dos separatistas e, principalmente, da direção do HB.

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