Interrogatório foi conduzido pela procuradora sueca Ingrid Isgren, instrutora adjunta na investigação sobre Assange
Interrogatório foi conduzido pela procuradora sueca Ingrid Isgren, instrutora adjunta na investigação sobre Assange | Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP



São Paulo - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de 45 anos, foi interrogado nesta segunda-feira (14) na embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado desde 2012, por um procurador equatoriano na presença de uma juíza sueca para responder à acusação de estupro que pesa contra ele na Suécia. O interrogatório foi conduzido pela procuradora sueca Ingrid Isgren, instrutora adjunta na investigação sobre Assange.

Suécia e Equador negociaram há meses as condições de seu interrogatório. O Equador impôs que um procurador equatoriano fizesse as perguntas, mesmo que sugeridas pelos investigadores suecos. Esta audiência "deve durar vários dias", indicou Per Samuelsson, advogado sueco de Julian Assange, que espera participar de pelo menos parte dela.

Trata-se da primeira vez que Assange, australiano acusado de estupro desde 2010, vai dar a sua versão dos acontecimentos à Justiça. Ele não quer voltar à Suécia por medo de ser extraditado aos Estados Unidos, onde é criticado por ajudar a tornar públicos 500 mil documentos confidenciais sobre Iraque e Afeganistão e 250 mil comunicações diplomáticas, por meio do site Wikileaks.

Durante a campanha presidencial americana, o WikiLeaks divulgou milhares de mensagens hackeadas de pessoas próximas a Hillary Clinton, levando John Podesta, chefe da equipe de campanha da candidata democrata a acusar Julian Assange de fazer o jogo do rival Donald Trump.

Uma petição, assinada por cerca de 18 mil pessoas, pede que Donald Trump conceda "perdão presidencial" a Julian Assange e o isente de perseguição nos Estados Unidos. Uma petição semelhante foi dirigida ao atual presidente, Barack Obama, sem sucesso.

Enquanto a Justiça sueca o acusa de fugir sistematicamente de suas convocações, Samuelsson garante que Assange "sempre quis dar a sua versão dos acontecimentos diretamente para os investigadores." "Pedimos esta audiência desde 2010", explicou. "Ele quer uma chance de limpar a sua honra (...) e espera que a investigação preliminar seja abandonada" após o interrogatório. A Justiça deverá recolher, se Assange consentir, amostras de seu DNA, segundo a procuradoria sueca. A transcrição do interrogatório será entregue posteriormente aos magistrados suecos, que decidirão o futuro da investigação.

QUATRO ANOS RECLUSO
O australiano permanece desde junho de 2012 na embaixada equatoriana da capital britânica, quando pediu asilo para evitar ser extraditado à Suécia. O Ministério Público sueco apura um suposto estupro cometido em 2010, que ele nega. Assange é alvo de um mandado de prisão europeu, emitido como parte desta investigação.

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